06/02/2023
Tão verdade! E tão difícil nos dias de hoje.
**cadeiras **caraoarlivre
As crianças têm direito a br**car todos os dias: na escola, entre as aulas e ao longo delas (sempre que o professor for capaz de pôr “br**car” a rimar com “aprender”). Em casa e ao ar livre. Sob o olhar discreto dos seus pais. Brincar só ao fim de semana não é br**car: é pôr uma agenda no lugar do coração.
As crianças têm direito a exigir o br**car como o principal de todos os deveres. As crianças têm direito a defender a primazia do br**car sobre todas as tarefas. A fórmula “primeiro fazes os deveres e depois br**cas”, tão do agrado dos pais, é proibida! Só depois de br**car vem o trabalho.
As crianças têm direito a unir br**car com aprender. Brincar é o “aparelho digestivo” do pensamento. Liga o que se sente com aquilo que se aprende. Quem não br**ca imita, falseia ou finge. Mas zanga-se, sem redenção, com o aprender!
As crianças têm direito a não saber br**car. Brincar é uma sabedoria que nunca se detém: inventa-se, descobre-se, deslinda-se ou desvenda-se. Brincar é confiar: no desconhecido, no que se br**ca e com quem se br**ca. Crianças sossegadinhas são brinquedos à espera dos pais para br**car.
As crianças têm direito a descobrir que os melhores brinquedos são os pais. Apesar disso, têm direito a requisitar tudo o que entendam para br**car. Têm direito a br**car com as almofadas, com caixas de cartão, com os dedos e com o que entendam, por mais que não sejam objectos convencionados para br**car. Tudo aquilo que não serve para br**car não presta para descobrir e com brinquedos de mais br**ca-se de menos.
As crianças têm direito a desarrumar todos os brinquedos (e a arrumá-los, de seguida, com um toque…pessoal). Têm direito a desmanchar os que forem mais misteriosos, os mais rezingões ou, até, os divertidos. Quando br**cam, têm direito a ter a vista na ponta dos dedos, a cheirar, a sentir, a falar, a rir ou a chorar. Não há, por isso, brinquedos maus! A não ser aqueles que servem para afastar as pessoas com quem se pode br**car.
As crianças têm direito a br**car para sempre. A Infância nunca morre: apenas adormece. E quem, crescimento fora, se desencontra do br**car não perceberá, jamais, que não há crianças se não houver br**car.