09/07/2026
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CARTA ABERTA AO MUNICIPIO:
Orgulho no Artesanato, Silêncio na Autarquia: O Balanço da FIA Lisboa 2026
Terminámos recentemente no passado dia 5 de Julho a nossa participação na edição de 2026 da FIA Lisboa, a maior feira da Península Ibérica de promoção e valorização do artesanato. Este certame constitui um marco fundamental na divulgação, a nível nacional e internacional, das tradições e costumes que o artesanato autêntico representa, sendo cada vez mais reconhecido como um pilar estratégico para o turismo de base cultural.
O Exemplo das Autarquias e a Aposta no Turismo Cultural
A enorme participação de inúmeros municípios neste evento comprova a relevância estratégica do setor. Vimos autarquias como Estremoz, Vila Verde, Barcelos, Óbidos ou Mafra, entre muitas outras, a usar este certame como uma verdadeira montra das suas artes e ofícios. O exemplo estende-se a estruturas regionais, como a Comunidade Intermunicipal do Oeste, que apostou forte na divulgação das raízes culturais da sua região como uma forma inteligente de gerar turismo e conhecimento. Inclusivamente o município da Golegã, nosso vizinho, fez questão de estar presente, apoiar os seus e divulgar ativamente o seu território.
Estes municípios compreendem que apoiar os artesãos credenciados — que têm o privilégio de ser selecionados para a FIA — é promover a sua própria região. A promoção das artes e ofícios, enquanto pequenos negócios locais, fixa a riqueza económica na comunidade: os lucros gerados revertem, através da derrama no final do ano, a favor dos cofres municipais. É o oposto das grandes cadeias que proliferam: geram lucros massivos que desaparecem da região, deixando para trás apenas alguns empregos, na maioria das vezes precários.
O Nosso Caso: Honrar o Figo Seco de Torres Novas por Amor à Terra
No nosso caso, foi com imenso orgulho e cientes desta responsabilidade que assumimos a nossa participação nesta oportunidade única. Estivemos lá com uma missão clara: divulgar e honrar o figo seco de Torres Novas, um património gastronómico e cultural único da nossa região.
E a verdade é que encantámos quem nos visitou com as nossas Compotas Artesanais, os Figos em Calda e Cardilius®, todos estes produtos elaborados a partir do Figo Seco de Torres Novas. Não nos limitámos a mostrar os produtos artesanais da nossa marca, Parque dos Sabores®, divulgamos ainda o que de bom a nossa terra/concelho tem, tanto a nível de património histórico como gastronómico e que merece ser visitado e conhecido.
Quisemos ainda criar uma experiência viva e pedagógica para partilhar a nossa história. Por isso, levámos:
• Uma representação em miniatura do processo de produção e secagem tradicional do figo, preservando a memória histórica desta atividade.
• Atividades interativas pensadas para que as crianças (e também os pais) pudessem descobrir, de forma divertida, a riqueza do figo de Torres Novas.
• Folhetos informativos detalhados, que nós próprios elaborámos, paginámos e imprimimos para oferecer aos visitantes.
Fizemos tudo isto de forma inteiramente voluntária e altruísta, investindo o nosso tempo e recursos. Fizemo-lo por uma razão muito simples: porque gostamos realmente muito da nossa terra e temos orgulho na nossa identidade.
Cientes do Dever, Confrontados com o Silêncio Institucional
Sabendo da importância que esta montra revestia para o prestígio do nosso concelho, fizemos questão de partilhar a nossa presença com o executivo camarário. Ainda em abril, enviámos um email dirigido ao Excelentíssimo Senhor Presidente, Dr. José Trincão Marques, e à Exma. Senhora Vice-Presidente, Dra. Elvira Sequeira, informando que iríamos estar presentes e convidando-os formalmente a visitar o nosso espaço na FIA Lisboa 2026.
Lamentavelmente, e como temos vindo a constatar, o apoio aos pequenos negócios locais e às artes tradicionais definitivamente não parece ser o que mais agrada a este executivo. Ao longo do tempo, o apoio tem sido decrescente. Mas pior do que a ausência física, foi a total falta de cortesia e consideração institucional: ao nosso convite, não lográmos obter uma singela resposta por email. Nem sequer uma linha rápida a justif**ar a ausência por motivos de agenda ou a desejar uma "boa feira".
Para quem não teve a oportunidade de nos visitar, f**a o registo de que elevámos o nome de Torres Novas com brio e autonomia, sem qualquer tipo de apoio da nossa autarquia, por mais simples que fosse. O artesanato autêntico e o amor à terra resistem, subsistem e brilham por si próprios — mesmo quando aqueles que nos deviam representar preferem o silêncio.