30/08/2026
18 de Setembro na BLACKBOX do Cine-Teatro do G.C.Corroios
AINDA ESTOU AQUI.
Em setembro vou voltar à estrada e, desta vez, com uma sequência de concertos que significa muito para mim:
12 SETEMBRO — FNAC ALMADA (19H)
13 SETEMBRO — FNAC ALGARVESHOPPING (16H)
18 SETEMBRO — BLACKBOX (Bar Cine-Teatro G.C.Corroios)
19 SETEMBRO — BAFO DE BACO
20 SETEMBRO — FNAC FARO (17H)
Nos dias 18 e 19 terei ainda a honra de fazer a primeira parte dos Dead Sexy, projecto francês de culto da cena electro-punk internacional, com mais de duas décadas de carreira, digressões pelos Estados Unidos, Europa, Japão e China, e palcos partilhados com nomes como Peaches, Vitalic, Miss Kittin, Einstürzende Neubauten, Thurston Moore e Sigue Sigue Sputnik.
Para mim, este convite tem um significado especial.
Comecei a fazer música ainda adolescente. Desde então, nunca parei de escrever, gravar, produzir, experimentar, falhar, recomeçar e procurar novas formas de me expressar.
São oito álbuns de estúdio, dezenas de canções, centenas de horas de trabalho e quase três décadas a construir um percurso independente.
Grande parte desse caminho foi feito sozinho. E nem sempre porque era essa a minha escolha.
As dificuldades económicas obrigaram-me muitas vezes a aprender a fazer aquilo que, em circunstâncias diferentes, seria feito por várias pessoas: compor, gravar, produzir, editar, promover e tratar de grande parte da logística à volta da música.
No hip-hop, o artista que escreve, produz e constrói grande parte do seu próprio universo é muitas vezes valorizado precisamente pela sua autonomia e versatilidade.
No rock, a história é um pouco diferente.
Existe uma tradição muito forte de banda, e por vezes um artista a solo que assume demasiadas funções é olhado como alguém que “tem a mania”, que se acha melhor do que os outros ou que está a tentar provar alguma coisa.
Talvez eu devesse simplesmente afastar-me desse universo rock mais tradicionalista e purista.
Ou talvez não.
Talvez o rock precise precisamente de pessoas que o amem o suficiente para não terem medo de o desconstruir.
De pegar naquilo que conhecemos, virar do avesso, misturar com outras linguagens e descobrir o que ainda pode ser feito com isso.
Talvez essa seja uma das formas de o manter vivo.
Eu nunca tive propriamente o luxo de escolher.
Fui aprendendo a fazer.
E aquilo que começou muitas vezes por necessidade acabou por se transformar numa parte essencial da minha identidade.
Mas não foi um caminho fácil.
Houve portas fechadas. Recusas. Silêncios. Concertos que não aconteceram. O trabalho que ninguém vê. Dinheiro investido. Noites mal dormidas. E muitas vezes aquela sensação de estar a lutar contra uma parede.
Em Portugal, os convites para tocar e colaborar com outros projectos portugueses têm sido, infelizmente, escassos.
Às vezes dou por mim a pensar que talvez seja mesmo verdade aquilo que dizem: santos da casa não fazem milagres.
Mas continuo a acreditar que o valor de um percurso não se mede apenas pelo número de portas que se abrem.
Mede-se também pela capacidade de continuar a bater quando tantas já se fecharam.
Isto nunca foi um projecto construído à espera de autorização. Não houve uma editora ou agência a abrir caminho, uma equipa a tratar de tudo, uma máquina por trás.
Houve vontade. Trabalho. Persistência. E uma necessidade quase física de continuar a fazer música.
E, felizmente, também houve pessoas.
Artistas, produtores, curadores, amigos e, sobretudo, pessoas que ouvem a minha música e continuam a aparecer. Pessoas que acreditaram no que faço quando seria muito mais fácil ignorá-lo.
É por essas pessoas que continuo. E sou profundamente grato.
Neste momento estou a terminar as apresentações de "Love Is Never Enough" e, ao mesmo tempo, a preparar o lançamento de "Apocalypsing", o meu próximo álbum, em novembro.
O 9.º álbum.
E já sei que não será o último.
Mais virão.
Talvez algumas portas continuem fechadas. Talvez outras se abram onde menos espero.
Mas, sinceramente, já não preciso que todas se abram.
Preciso apenas de continuar a criar.
Porque há coisas que não fazemos porque são fáceis.
Fazemo-las porque não conseguimos deixar de as fazer.
E agora gostava de vos ouvir a vocês.
Como vêem a cena rock portuguesa actual?
Acham que ainda existe demasiado tradicionalismo e purismo?
Há espaço suficiente para desconstruir o género, misturá-lo com electrónica, hip-hop e outras linguagens e encontrar novas formas de fazer rock?
E há outra questão que me interessa ainda mais:
Será que os estilos musicais ainda interessam quando não estamos a tentar vender música?
Rock. Punk. Metal. Hip-hop. Electrónica. Indie.
Até que ponto estas categorias ainda servem para descrever música, e até que ponto servem apenas para nos dividir em tribos?
Será que precisamos realmente de escolher um lado, ou podemos simplesmente fazer a música que nos apetece fazer?
Deixo estas perguntas no ar.
Digam-me o que pensam nos comentários, concordem ou discordem.
E, já agora, a que concerto(s) de setembro conseguem ir?
Ainda estou aqui.
E ainda não acabei.
Vejo-vos em setembro. 🖤
📸 José Manuel Teixeira Photography