25/08/2026
Muito há para dizer, mas não podemos começar estas palavras sem, antes de tudo, agradecer.
Agradecer a toda a população dos Casais Unidos, que esteve connosco, que nos deu a mão e que nunca nos deixou caminhar sozinhos, mesmo quando as coisas não correram como desejávamos.
Porque é nos momentos mais difíceis que percebemos verdadeiramente o que significam a solidariedade, a entreajuda e o sentido de comunidade. E nós tivemos a sorte de sentir isso na pele.
Ao longo destes dois anos, podemos dizer que São Pedro não foi propriamente amigo de São Lucas.
Primeiro, a tempestade que nos obrigou a abdicar de uma das principais marcas culturais da nossa terra, o Carnaval, e que nos levou o telhado da nossa Associação, um espaço tão importante para todos nós.
E agora, a chuva, que desde que há memória nunca tinha conseguido estragar a nossa festa… mas que este ano nos veio testar, uma vez mais.
E, apesar de tudo, nós não desistimos.
Esta Comissão, que ao longo destes dois anos se tornou, para nós, muito mais do que um grupo de pessoas com uma responsabilidade: tornou-se uma segunda família.
Arregaçámos as mangas. Voltámos a tentar. Procurámos soluções. Rimos, discutimos, cansámo-nos, tivemos dúvidas… mas, acima de tudo, estivemos juntos.
Por tudo o que vivemos, por todas as dificuldades que ultrapassámos, pelo companheirismo, pela amizade e pela união que construímos, não podíamos prescindir de mais um único minuto desta festa.
Não foi como queríamos.
Não foi como idealizámos.
Mas fizemos. E fizemos juntos.
E se havia alguma dúvida de que todo este esforço tinha valido a pena, o dia de ontem deu-nos a resposta.
Ver esta terra unida, ver pessoas a participar, a ajudar, a sorrir e a celebrar connosco fez-nos perceber que, no fim, tudo valeu a pena.
A todas as pessoas que se prontificaram a ajudar, que participaram, que marcaram presença, que estiveram connosco nos bons momentos e, principalmente, nos menos bons, e a todos aqueles que nos deram uma palavra amiga quando mais precisávamos:
um enorme obrigado.
Podem ter a certeza de que não serão esquecidos.
Em outubro, vai custar abandonar esta casa.
Não pelas desilusões ou pelas dificuldades que tivemos de enfrentar, mas por tudo aquilo que esta Comissão construiu.
Pelo esforço.
Pela dedicação.
Pelas noites mal dormidas.
Pelas horas que ninguém viu.
Pelo trabalho feito em prol da nossa aldeia.
Pelas amizades que nasceram.
Pelas relações que fortalecemos.
E por tudo aquilo que esperamos deixar para trás.
Porque o legado da nossa Comissão termina, mas aquilo que se construiu não tem de terminar connosco.
E é precisamente isso que gostaríamos que perdurasse.
Não queremos ser lembrados apenas como a Comissão que perdeu o artista principal devido às condições meteorológicas, ou como aquela que teve de enfrentar dois anos em que São Pedro decidiu complicar-nos a vida.
Queremos ser lembrados como a Comissão que deu um primeiro passo.
O primeiro passo para perceber que, apesar das diferenças, somos todos parte da mesma terra.
Queremos ser lembrados como a Comissão que acreditou que era possível unir estas casas.
Os Casais Unidos.
E talvez esse seja o maior legado que podemos deixar.
Por isso, antes de terminar, queremos deixar o nosso mais sincero OBRIGADO.
Obrigado à população por todo o apoio, por toda a ajuda, pela presença, pela confiança e pelo contributo para que esta festa continuasse a ser aquilo que sempre foi:
a festa das nossas gentes.
Obrigado a todos os que deram do seu tempo, do seu trabalho e do seu coração para que tudo isto fosse possível.
Obrigado aos nossos patrocinadores, a todos os que nos apoiaram e a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, contribuíram para a realização desta festa.
E um agradecimento muito especial a todos os que nos ajudaram na montagem, desmontagem e em tudo aquilo que muitas vezes não se vê, mas que é essencial para que uma festa aconteça.
Hoje, mais do que terminar uma festa, terminamos um capítulo.
Um capítulo que nos deu muito trabalho, muitas dores de cabeça, alguns momentos difíceis, mas também amizades, memórias e momentos que vamos levar connosco para a vida.
E se há algo que estes dois anos nos ensinaram é que uma festa pode durar quatro dias…
mas aquilo que se constrói em comunidade pode durar uma vida inteira.
Por isso, daqui para a frente, que se mantenha a união, que se mantenha a vontade de ajudar, que se mantenha o espírito de comunidade.
E que, quando chegar a nossa vez de passar o testemunho, aqueles que vierem depois de nós possam olhar para trás e sentir que valeu a pena.
Obrigado, Casais Unidos.
Obrigado por estes dois anos.
E viva a nossa festa!