10/07/2022
(ler até ao fim)
Os “mestres da fantochada”
Ontem à noite, no passeio marítimo de Algés, os Metallica terminaram o seu concerto com um dos seus maiores êxitos - Master of Puppets (Mestre da Fantochada). Embora a letra não verse propriamente sobre o objeto deste humilde texto de opinião, a verdade é que o título é demasiado sugestivo para deixar passar em claro a “fantochada” que vai acontecendo pelo nosso país.
Na passada quinta-feira, dia 7 de Julho, foi decretado para todo o território nacional estado de alerta devido ao risco acrescido de incêndio rural, no qual, entre outras coisas, como medida preventiva, se proibia a utilização de fogo-de-artifício ou outros artefactos pirotécnicos, independentemente da sua forma de combustão, bem como a suspensão das autorizações que tenham sido emitidas. Como consequência, centenas de espetáculos pirotécnicos foram cancelados por todo o país. Santo Tirso, Fafe, Maia, são apenas alguns exemplos de localidades que se viram privadas de rejubilar com uma arte que está intrinsecamente ligada à cultura tradicional e popular portuguesa.
Mas parece que Algés não pertence ao território de Portugal continental. Talvez os tão fomentados fenómenos meteorológicos extremos descritos pela proteção civil tenham levado a criação de uma nova jangada de pedra?
A verdade é que o fogo-de-artificio dos NOS Alive'22 estava programado, era para acontecer, e aconteceu até em momentos em que a bandeira de Portugal preenchia os ecrãs do palco. Vá-se lá saber de despachos ou estados de alerta. Talvez alguém tenha prevaricado e até possa vir a ser punido, ou será o nosso país mesmo só Lisboa? E o resto?... Parece mesmo ser paisagem!
A verdade é que o final apoteótico com a utilização de artefactos pirotécnicos aconteceu mesmo. E, sejamos honestos, equacionar sequer a hipótese de incêndio florestal é simplesmente ridículo. O Tejo não arde e Monsanto ainda f**a longe! Mas vivemos num estado direito onde não há português de primeira e de segunda. Leis, decretos e despachos são para cumprir, mesmo quando a incompetência de quem decide nos deixa no ridículo.
Os “Mestres da Fantochada” brindaram mais uma vez o país com um teatro de incompetência verdadeiramente épico – já os Metallica, foram brilhantes!
E se o final foi bom, o início também não desiludiu. Cenas de "O bom o feio e o Mau" ao som de Ecstasy of Gold a prepararem o mood para Whipelash num verdadeiro faroeste à portuguesa onde não o mais rápido a sacar, mas aquele que melhor “mexe os cordelinhos” parece continuar a ser rei e soberano!