07/06/2020
Os COMMANDO são o novo projeto do intrépido Rui Vieira e do seu amigo José Graça. 25 anos depois da sua génese e de um afastamento não intencional, o reencontro lá aconteceu e a dupla apresenta agora as suas canções de amor, e não só! A HELLHEAVEN esteve à conversa com a banda e nada foi esquecido, nem mesmo os Slayer! Entrevista: Nuno C. Lopes
HellHeaven: Depois de muito tempo a ser «cozinhado», finalmente está disponível o primeiro disco de Commando. Qual o sentimento por ter este «filho» à solta?
Commando: O sentimento é de alegria, dever cumprido e de uma realização enorme, tendo em conta tudo o que envolveu a criação e «gestação» deste nosso «filho».
Estamos a ver as reações às nossas músicas com bastante atenção e tem-nos deixado bastante contentes, prova que o tempo que despendemos e a forma como trabalhámos este projecto resultou em pleno. Somos uns «pais» babados. (risos)
HellHeaven: «Love Songs #1» é, acima de tudo um disco de dois amigos que já tinham este projecto na gaveta a algum tempo. Porquê agora?
Commando: Este projecto ficou algum tempo em “banho-maria” devido a alguns percalços que tivemos a nível pessoal mesmo a meio do processo de gravação do álbum, que impossibilitou que esta reunião musical de dois amigos que se reencontram 25 anos depois visse a luz do dia mais cedo, mas com todos esses percalços pertencendo ao passado e vendo o quanto exigente foi terminar este álbum achamos que foi a altura certa, pois foi nesta altura que tínhamos toda a disponibilidade e energia para levar esta epopeia a bom porto.
HellHeaven: «Metal is the Lei» é, não só a faixa de abertura, mas também o single de apresentação. A que se deveu essa escolha e como é que esse tema se enquadra naquilo que são os Commando?
Commando: A escolha da «Metal is the lei» foi uma escolha natural e unânime, não só pela mensagem forte e directa que a letra tem, e que sirva a carapuça a quem servir, é só a constatação de um facto, mas principalmente pela força que a música possui, que espelha na perfeição o que é a nossa energia como colectivo e o que queremos mostrar e o que temos para dar a todos. Esta música é Commando!
HellHeaven: Para além de muitas homenagens, umas mais directas que outras, podemos dizer que os Commando são uma mistura de muitos géneros e a fusão de muitas músicas, algumas até fora do Metal. Qual foi o grande desafio para «Love Songs #1»?
Commando: Acho que o grande desafio para este «Love Songs #1» foi tentar registar o mais fiel possível o quanto nos divertimos e o gozo que nos deu todo o processo de criação e o trabalhar as músicas até entrarmos em estúdio, sem menosprezar a qualidade musical nem a produção, tendo como máxima «br**car de uma forma séria», mas com todos os clichés que existem no dicionário!
HellHeaven: «Love Songs #1» tem Slayer, Anthrax, Ratos de Porão e mais umas quantas coisas. Como foi juntar tudo isto em um só disco? Acerca dos Slayer, sei que o Rui (principalmente) acredita que o fim ainda não chegou, essa ideia ainda se mantém?
Commando: Este álbum tem muitas das nossas influências musicais bem espelhadas, dentro e fora do metal, e como influências que são foram aparecendo de uma forma completamente natural! Se calhar a grande diferença foi que agarramos nessas influências e fizemos delas músicas e pequenas tentativas de tributos, sempre com alguma pitada de humor pelo meio, mas tentando ter sempre cuidado na qualidade do que fazemos. Acerca do fim da carreira dos Slayer, se calhar temos de apostar alguma coisa para tornar as coisas mais interessantes! (risos) Mas sim, a ideia mantêm-se, e estamos certos que iremos ouvir mais deles.
HellHeaven: Ao nível lírico, como já é habitual no Rui, há por aqui uma crítica assertiva e com mira apontada para todo o lado, contudo em Commando ele mostra um outro lado, talvez mais risonho de tudo. Estamos a falar de algo que surgiu conscientemente ou este é, somente, um Rui que muitos desconhecem?
Commando: Tudo isto se deve à combinação explosiva da junção destas duas “alminhas”, ou seja, o Rui conseguiu levar para outro patamar a veia crítica do Zé, assim como o Zé conseguiu elevar a veia mais divertida do Rui, e temos exemplos como a «Daisy» por um lado e a «é isso não mexas mais» por outro. Achamos que nada é por acaso, e tinha de ser assim, porque realmente há um Rui que muitos desconhecem assim como há um José que muitos podem conhecer também.
HellHeaven: Este disco surge numa altura em que enfrentamos uma crise para a qual a Humanidade não estava preparada. Como é que olham para todo esta pandemia do Covid-19 e para a forma como a classe política está a olhar para isto?
Commando: Vemos esta pandemia com muita apreensão, pois é algo que a ignorância a pode catapultar para algo muito pior do que já é!
Mas também a vemos com o cuidado e sentido de responsabilidade cívica que ela merece. Já a classe política podemos dizer que está a fazer o que seria de esperar deles… a salvar a própria pele! Se assim não fosse, não veríamos tanta consonância de todos os quadrantes políticos, mas no fim disto tudo vamos ver que quem se vai «lixar» vai ser sempre o mexilhão. E vai sair música, de certeza!
HellHeaven: Não deixa de ser curioso que, os mais difíceis de convencer a estar em casa, seja uma geração que viveu uma ditadura com, ainda, mais restrições. Será que podemos dizer que não merecemos os idosos que temos?
Commando: A nós sinceramente não nos surpreende, e exactamente pela razão que referiste, porque como viveram numa altura de repressão, a veia mais «anarquista» dos mais experientes vem ao de cima assim que sentem a privação da sua liberdade, tentando lutar contra o sistema nessas pequenas atitudes, mesmo que seja a manutenção das suas rotinas.
E visto isto, perguntamos nós, não merecemos os idosos que temos?
HellHeaven: Quais serão as consequências de tudo isto para o futuro e qual será a melhor forma de lidar com o que aí vem?
Commando: Consequências garantidamente que vai haver, agora vai depender muito do que a raça humana vai aprender com tudo isto! Mas de certeza que esta é a altura ideal para se repensar muitas coisas na nossa sociedade, desde a forma como tratamos o próximo até termos de repensar as nossas prioridades egoístas e consumistas.
A melhor forma de lidar com o que aí vem? Carpe Diem, fiquem em casa e ouçam COMMANDO! (risos)
HellHeaven: Certamente que existiriam mais planos em relação a «Love Songs #1», o que muda com este isolamento? Qual a forma que os Commando vão utilizar para chegar a mais público? No geral, qual será o impacto que isto terá na música, principalmente no Metal?
Commando: Com esta pandemia, tudo muda, as pequenas e as grandes coisas, e em relação ao nosso álbum de estreia não é diferente, tudo o que tínhamos planeado para fazer obviamente que já não vai acontecer, mas f**a a promessa de que quando isto tudo acalmar voltaremos à carga e todos vão saber e fazer parte desses planos, entretanto iremos explorar e abusar sem dó nem piedade de todo o mundo virtual para poder divulgar este nosso trabalho pelos quatro cantos do mundo, ainda mais do que estamos a fazer neste momento.
Já o impacto que esta pandemia irá ter na música, queremos estar enganados, mas algo nos diz que será nefasto, mas queremos estar enganados sim.
HellHeaven: Qual será o futuro dos Commando? Haverá um segundo compêndio de canções de Amor? Qual a mensagem que deixam…
Commando: O futuro não sabemos como vai ser, só podemos dizer que chegamos, já cá estamos e esperemos que gostem, porque vamos f**ar! Acerca de um segundo compêndio, quando a altura chegar logo se saberá, mas já nasceu alguma coisa…
A mensagem que podemos deixar é a que faz sentido neste momento tão singular, que é tenham muito cuidado, fiquem em casa e comprem o nosso álbum de estreia.