29/03/2022
Decorridos praticamente dezassete anos desde a realização do último certame maior do setor das pescas na Região Autónoma dos Açores, estamos hoje aqui para assinalar o retomar desse importante fórum, a Semana das Pescas.
Como salientei na apresentação do XIII Governo dos Açores, “porque pensamos que os desafios presentes e futuros assim o justificam, queremos recuperar a Semana das Pescas, como fórum privilegiado na discussão dos assuntos das pescas e do mar, no reforço da dimensão científica que tem projetado os Açores, quer seja com caráter anual ou num formato de dois em dois anos, centrando, na mesma ordem de prioridades, a realidade das pescas nos Açores e aquelas que são as principais preocupações do setor”.
Foi este o compromisso assumido, é esse o compromisso que pretendemos cumprir, na próxima semana, entre os dias 4 e 7 de abril.
É importante, e para que se perceba alguns constrangimentos com os quais nos deparámos, o contexto em que este certame se realiza.
Encontramo-nos nesta altura, ainda que de forma lenta, quer no plano regional quer no plano nacional, a sair de uma pandemia e com esforços redobrados na recuperação económica; temos um contexto político internacional que já está a provocar sérias dificuldades também ao setor das pescas, e estamos, internamente e no plano nacional, num momento de transição de governos, motivo que também acarretou algum atraso na definição do programa final desta edição da Semana das Pescas.
Desde o início, o propósito deste Governo foi o de recuperar o certame mantendo o seu nome, a Semana das Pescas. Fizemo-lo cientes do significado histórico que este evento tem para a ilha do Faial e para a cidade da Horta, em particular, e também fizemos questão em que a Semana das Pescas, porque só assim faria sentido, que a sua realização acontecesse aqui, na Sociedade Amor da Pátria.
Contudo, o propósito assumido, sem descurar todo o historial da Semana das Pescas, em tempos idos sobretudo focada na vertente da investigação, assentou numa mudança de paradigma, centrando o debate nas diferentes áreas do setor das pescas e para debater os assuntos que ao setor dizem respeito de forma transversal.
Desde a investigação, a aquicultura, a transformação, a comercialização, os fundos estruturais e a nossa relação com a União Europeia e passando também pela economia azul, o tema central da edição de 2022 da Semana das Pescas é “Desafios Globais”.
“Desafios Globais” porque entendemos que a evolução que o setor registou nas mais diversas vertentes assim o justificam e porque, mais importante que olhar para o que se fez e não fez, é perspetivar o futuro, num cenário cada vez mais globalizado e no qual os Açores, muito embora a sua pequena dimensão geográfica e económica, devem fazer parte.
Queremos olhar para a nossa realidade arquipelágica mas interessa-nos que esta visão também aconteça de fora para dentro e não apenas de dentro para fora. Daí, pensarmos ter reunidos um alargado e importante conjunto de oradores, para um amplo debate das áreas que atrás referi.
Inovamos também neste retomar da Semana das Pescas com um programa que, pela primeira vez, será extensivo à ilha do Pico, onde, presentemente a indústria conserveira volta a fazer parte importante da economia regional e da picoense, em particular, fruto dos investimentos em curso e programados para os próximos anos.
Não fazia sentido recuperarmos um certame desta natureza e dada a proximidade entre estas duas ilhas e não abrirmos a discussão das questões das pescas aos dois lados do canal.
Resta-me agradecer a todos quantos aceitaram o convite para estar presentes nesta edição da Semana das Pescas, um agradecimento especial a toda a equipa que faz parte da organização desta Semana, apenas com trabalhadores da Secretaria Regional do Mar e das Pescas, e desejar bom trabalho em prol do setor das pescas.
O Secretário Regional do Mar e das Pescas, Manuel São João