13/02/2026
O Dia Mundial da Rádio, celebrado anualmente em 13 de fevereiro, é uma data que realça a importância deste meio de comunicação que, desde o seu surgimento, desempenha um papel fundamental na difusão de notícias, cultura e música. A rádio, enquanto veículo informativo e cultural, sempre teve a capacidade única de ligar comunidades, oferecer conteúdos e criar uma experiência auditiva que alia proximidade e o imediatismo. No entanto, na contemporaneidade, marcada pela explosão do streaming e da internet, a rádio enfrenta hoje, o seu desafio mais profundo: a descontextualização do seu papel original, na vertente informativa e musical.
Historicamente, a rádio foi um dos primeiros meios a democratizar o acesso à informação e à música, com programação curada. As estações de rádio foram o equilíbrio entre notícias locais, nacionais e internacionais, além de uma oferecerem uma seleção musical que refletia as tendências culturais e sociais, transversalmente ao tempo. A rádio não era apenas um canal passivo; era um espaço mediático, onde jornalistas, locutores e produtores filtravam, contextualizavam e interpretavam o que nos chegava ao ouvido. Essa era uma curadoria essencial, para que os ouvintes pudessem compreender o mundo, de forma clara e organizada.
Com o “advento” da internet e das plataformas de streaming, o acesso à informação e à música tornou-se praticamente ilimitado. Hoje, qualquer pessoa pode ter acesso a milhares de notícias em tempo real, vídeos, podcasts e milhões de músicas a qualquer momento, sem depender de uma programação fixa ou de um filtro editorial. Essa democratização, embora positiva, criou o que eu identifico de fenómeno de sobrecarga informativa.
Neste panorama, e no meu humilde ponto de vista, a rádio (tradicional) é desafiada, ou deveria ser, a manter sua relevância. A rádio perde, perdeu em parte, o seu papel de filtro confiável e de guia cultural, pois o poder optar por consumir conteúdos fragmentados, imediatos, e personalizados, muitas vezes perde profundidade e contexto.
Além disso, a concorrência direta de serviços de streaming, que oferecem playlists personalizadas, recomendações baseadas em algoritmos e acesso instantâneo a qualquer género musical ou notícia, leva a uma fragmentação e desinteresse da audiência, e a uma perda da experiência coletiva que a rádio tradicional sempre promoveu.
Apesar de todos estes desafios e pedras no caminho, o Dia Mundial da Rádio é também um momento para reafirmar que a rádio se pode reinventar, criar conteúdos exclusivos, valorizar o jornalismo e promover experiências auditivas, que vão além da simples postura de consumo passivo e são os caminhos a estudar, para que recupere seu papel de mediadora cultural e informativa, para que com a capacidade de criar narrativas contextualizar notícias e promover uma diversidade musical de forma curada, uma experiência real, neste caos real e informativo da internet. Assim, e voltando a reafirmar o meu ponto de vista, o caminho da rádio não apenas sobreviverá, mas ira-se fortalecer como um meio que une tradição, inovação e comunidade, mantendo viva a sua essência.
Sinto-me orgulhoso de ter crescido a ouvir a que é reconhecida como a rádio local mais antiga de Portugal, a Rádio Altitude (Guarda), fundada em 1948.
Agradeço ao Helder Sequeira a excelente fotografia da sua coleção pessoal