29/10/2025
Ansiosos por saber os temas que os nossos Keynotes vão abordar? Hoje começamos com a nossa Young Keynote: Ana Margarida Cardoso.
Para além dos mapas: uso de sistemas de informação geográfica na compreensão das práticas musicais
Os mapas, dados espaciais e sistemas de informação geográfica (SIG) têm constituído, mais do que ferramentas de análise, processos de interpretação e questionamento de realidades, desconstrução de narrativas e cruzamento de diferentes olhares sobre um dado contexto espaciotemporal (Knowles & Hillier 2008, Gregory & Eli 2008, Pearce 2008). Mais do que uma mera representação espacial e geográfica das práticas musicais, os mapas retratam processos de agenciamento social e político dos indivíduos num determinado campo, sendo o som não apenas um meio, mas um elemento definidor desse processo (Revill 2012). Não obstante, os mapas também comportam riscos, na medida em que podem levar a interpretações parciais ou incompletas e exigem um escopo alargado de competências e dados, provenientes de várias áreas do conhecimento, desafio esse que os torna uma área privilegiada para a colaboração interdisciplinar (Epstein 2024, Gregory & Eli 2008).
O meu interesse por esta área surgiu a partir do estudo das práticas musicais em Lisboa durante o Estado Novo, que desenvolvi durante a investigação de Doutoramento (Cardoso 2023), em particular a partir de um conjunto de dados relativos às residências e espaços performativos dos músicos, coligidos no âmbito do projeto “Profmus: Ser Músico em Portugal: condições socioprofissionais dos músicos em Lisboa (1750-1985)” (PTDC/ART-PER/32624/2017). Estes dados permitiram-me compreender o papel dos músicos na desconstrução de categorizações ligadas às práticas musicais, mas também aos espaços urbanos da cidade de Lisboa, durante o Estado Novo. Assim, parti deste e de outros estudos de caso para refletir sobre a aplicação dos sistemas de informação geográfica na compreensão das práticas musicais.
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Looking forward to knowing the topics that our Keynotes will address? Today we start with our Young Keynote: Ana Margarida Cardoso.
In addition to maps: use of geographical information systems in the understanding of musical practices
Maps, spatial data and geographic information systems (GIS) have constituted, more than analysis tools, processes of interpretation and questioning of realities, deconstruction of narratives and crossing of different views on a given spatiotemporal context (Knowles & Hillier 2008, Gregory & Eli 2008, Pearce 2008). More than a mere spatial and geographical representation of musical practices, the maps portray processes of social and political agency of individuals in a given field, sound being not only a means, but a defining element of this process (Revill 2012). Nevertheless, maps also carry risks, as they can lead to partial or incomplete interpretations and require a wide scope of skills and data, from various areas of knowledge, a challenge that makes them a privileged area for interdisciplinary collaboration (Epstein 2024, Gregory & Eli 2008).
My interest in this area arose from the study of musical practices in Lisbon during the Estado Novo, which I developed during the PhD research (Cardoso 2023), in particular from a set of data related to the residences and performative spaces of musicians, collected within the scope of the project "Profmus: Being a Musician in Portugal: socio-professional conditions of musicians in Lisbon (1750-1985)" (PTDC/ART-PER/32624/2017). These data allowed me to understand the role of musicians in the deconstruction of categorizations linked to musical practices, but also to the urban spaces of the city of Lisbon, during the Estado Novo. Thus, I started from this and other case studies to reflect on the application of geographic information systems in the understanding of musical practices.