31/07/2026
Há dores que o tempo cura.
Mas há outras que regressam todos os os anos... com o cheiro a fumo.
Todos os verões Portugal volta a chorar.
Choram as montanhas.
Choram as árvores.
Choram os animais, que morrem sem conseguir fugir.
Choram as famílias que veem a sua história transformar-se em cinzas.
Choram os bombeiros que enfrentam o inferno para salvar vidas, sem saber se voltarão para junto dos seus.
E nós...
Nós voltamos a assistir ao mesmo filme, vezes sem conta.
Mudam os anos.
Mudam os governos.
Mudam os discursos.
Mas o fogo continua a levar aquilo que nunca poderá ser devolvido.
Uma floresta não é apenas um conjunto de árvores.
É vida.
É oxigénio.
É o abrigo de milhares de espécies.
É memória.
É infância.
É o futuro dos nossos filhos.
E, quando arde, não arde apenas Portugal.
Arde um pedaço da humanidade.
Há momentos em que o coração faz perguntas que a razão não consegue calar.
Como é possível que isto continue a acontecer?
Como é possível que, todos os anos, aceitemos esta tragédia como se fosse inevitável?
E quando, algum tempo depois, vemos nascer em alguns desses terrenos parques solares, parques eólicos ou projetos de exploração de lítio, é impossível não desejar respostas claras e total transparência. Perguntar não é acusar. É querer compreender. É querer acreditar que tudo está verdadeiramente a ser feito para proteger o que é de todos.
Porque a Terra não nos pertence.
Nós é que pertencemos à Terra.
Ela deu-nos rios, montanhas, sombra, ar e vida.
E nós...
Continuamos a deixá-la morrer diante dos nossos olhos.
Que nunca nos falte a coragem de proteger quem não pode pedir ajuda.
Porque as árvores não gritam.
Os animais não falam.
As florestas não se defendem.
Mas todos eles sentem.
E todos eles morrem.
Hoje, o meu pensamento está com cada bombeiro, com cada família, com cada animal e com cada árvore que o fogo levou.
Que um dia possamos finalmente deixar de contar hectares queimados... e voltar a contar apenas histórias de esperança.
🌍❤️ Porque não existe um Planeta B. Existe apenas a nossa casa.