16/10/2017
Futebol Chinês: O dragão diminuirá o seu apetite em 2018.
Depois de demonstrar todo o seu apetite e poder financeiro em 2016 e 2017, movimentando enormes quantidades de dinheiro para atrair jogadores top de linha do futebol mundial, a China não deve manter o mesmo ritmo para a temporada de 2018. Em temporadas passadas, os maiores gastos foram promovidos com as contratações de Oscar, Hulk, Ramires, Alex Teixeira, Alexandre Pato, Paulinho, Ricardo Goulart, Elkson, Gervinho, Witsel, Renato Augusto, Lavezzi e Tevez. A soma total com estes jogadores e outros de menor valor chega a aproximadamente a 300 milhões de euros.
Está claro que o futebol é uma peça da engrenagem dos objetivos da China para buscar a atenção do mundo. Paixão pessoal do presidente Xi Ji Ping e com o suporte de grandes empresas ligadas ao governo, os chineses têm uma ambição de qualificarem o nível técnico do campeonato local, formarem jogadores com capacidade competitiva para a seleção chinesa e sonharem com uma conquista de uma Copa do Mundo, esta sediada pela própria China. O dragão esta obcecado nestes objetivos e seu planejamento está em andamento. Contratar jogadores caros, especular e tumultuar o mercado de transferências foi um fato assistido por todos e ocorreu, principalmente, pela desinformação sobre o que os chineses poderiam oferecer.
Mas nem tudo funcionou como o esperado e inúmeros problemas vieram neste "pacote" audacioso de contratações. Problemas contratuais, forma de pagamentos, empresários aproveitando a inexperiência dos clubes e administradores chineses, adaptação de jogadores a cidades e ao futebol chinês e o maior obstáculos de todos: a cultura milenar chinesa, seus hábitos e culinária.
A Federação Chinesa de Futebol e a General Sports Administration (órgão estatal) estão apostando em novas regras para desestimular contratação de estrangeiros cujos valores ultrapassem US$ 6 milhões de dólares, acima deste valor foi criado um imposto de 100%, e quem exagerar deve pagar dobrado.
"Vamos regular e frear as compras exageradas de jogadores estrangeiros e limitar de maneira razoável a alta chegada de jogadores" indicou um porta-voz da Administração Geral de Esportes da China, pelo site oficial.
Na próxima temporada, o ritmo de contratações deve voltar a ser um pouco mais intenso e maior que as temporadas anteriores, porém o perfil dos negócios irá sofrer muitas alterações. Jogadores com menos prestígio mundial, onde os valores deverão girar entre US$1 milhão e US$5 milhões no máximo, jogadores em final de contrato e livres receberão maior assédio. Empresários e intermediadores terão grandes restrições e somente com um acordo de colaboração de um empresário local vão conseguir fazer negócio.
O Dragão está aprendendo rápido, embora de olhos puxados ele está atento e provocando mudanças no futebol.
Eduardo Ponticelli - Empresario e Consultor de futebol residente na China há 10 anos