02/09/2026
Eu sempre gostei dos romances. E os melhores são justamente aqueles em que nem tudo acontece como deveria.
Eles começam bonitos, cheios de promessas. Em algum momento, porém, vem a ruptura: uma reviravolta, uma perda, alguma coisa que desmonta o roteiro que parecia tão certo. E é justamente dali que a história ganha profundidade. O personagem muda, amadurece, se reinventa e quando chega o final, a gente percebe que aquela ruptura foi parte essencial da história.
O meu romance foi isso.
Durante muito tempo, fui uma romântica quase ingênua. Achava que bastava encontrar o meu príncipe encantado para que o resto da vida se encarregasse do “felizes para sempre”. Até que a vida me mostrou que não era exatamente assim.
Minha separação foi a grande ruptura do meu roteiro. Doeu muito. Mas foi também naquele momento, quando eu precisei me reinventar, que uma história completamente inesperada começou a ser escrita.
As flores chegaram. E eu jamais imaginaria que encontraria nelas uma realização ainda maior do que aquela que havia vivido durante tantos anos como atriz.
O mais curioso é que aquela mulher romântica não desapareceu. Ela apenas amadureceu. Continuo acreditando no amor, hoje com menos conto de fadas e muito mais verdade. E, ironicamente, fiz do romantismo uma parte enorme do meu trabalho.
Eu me envolvo com as histórias dos meus clientes, com os casamentos, as celebrações, os presentes, os pedidos de namoro, de desculpas, os “eu te amo”, os gestos que às vezes alguém não consegue colocar em palavras e escolhe dizer através das flores.
Eu não deixei de viver romances. Só descobri uma maneira diferente de vivê-los.
Hoje é o Dia do Florista.
Hoje celebro e agradeço.
Aos meus colegas de profissão, meu respeito profundo. Pela criatividade, pela entrega, pelo tanto que colocam de si em cada detalhe. Por uma arte que nem sempre é lembrada, mas que sempre, sempre toca alguém. Que a gente siga florindo o mundo, um gesto por vez.
Feliz dia pra nós.