09/01/2025
O governo do Rio de Janeiro anunciou na segunda-feira (6) o fechamento do Arquivo Público do Rio de Janeiro (Aperj), uma instituição que possui mais de 90 anos de história e guarda toda a documentação do Dops (Delegacia de Ordem Política e Social) desde os anos 1930, incluindo os registros do estado novo e depois da ditadura militar. Não há previsão para o retorno das atividades no prédio que f**a na Praia de Botafogo, na Zona Sul do Rio.
No comunicado que informou o fechamento da instituição, Victor Travancas, diretor da instituição, afirmou que o prédio do Aperj está em condições críticas e apresenta “risco iminente de desabamento e incêndio”. O sistema elétrico está obsoleto e o Corpo de Bombeiros não emitiu mais alvará de funcionamento.
O Aperj possui um acervo de cerca de 4 mil metros lineares de documentos de relevância para os estudos sobre a história do estado e da sociedade fluminenses a partir da segunda metade do século 18, constituindo um inestimável patrimônio histórico do país tais como o arquivo da Presidência da Província do Rio de Janeiro, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC) e a documentação das Polícias Políticas no Estado do Rio de Janeiro, nominada no Programa Memória do Mundo da Unesco.
A documentação do Aperj sobre do Dops não está digitalizada. Em caso de destruição do prédio, todo o material pode ser perdido. A instituição guarda, por exemplo, os prontuários de presos políticos no Rio de Janeiro e todos os livros de registros de ocorrências existentes daquele período. Esse material serviu de instrução para diferentes processos cíveis, criminais e investigações de crimes do período.
O acervo foi pesquisado pela Comissão da Verdade do Rio durante as apurações do desaparecimento de Rubens Paiva e guardava dados que permitiram, em 2014, a identif**ação de dois desaparecidos políticos desde 1969: os estudantes Joel Vasconcelos dos Santos e Paulo Torres Gonçalves.
Via ICL Notícias