10/08/2026
Legado de Bingha e as raízes da tatuagem na Bahia
Olhar para essas ferramentas é fazer uma viagem pela história da tatuagem brasileira.
Em um tempo em que o acesso a máquinas, materiais e informações era muito diferente do que conhecemos hoje, a tatuagem se desenvolvia a partir da experimentação, da observação, da habilidade manual e, sobretudo, da capacidade de criar soluções.
Os indutores manuais feitos de bambu que aparecem neste vídeo foram doados ao acervo do Museu Tattoo Brasil pelo mestre Bingha Tattoo, um dos pioneiros da tatuagem na Bahia, com uma trajetória que atravessa as décadas de 1970 e 1980.
E os detalhes dessas ferramentas revelam algo ainda mais precioso: o conhecimento construído pela própria experiência.
Bingha desenvolveu uma maneira muito particular de trabalhar com as configurações de agulhas.
Para linhas e traços, utilizava agulhas planas — flat — cuidadosamente alinhadas.
Já para o preenchimento de cor, trabalhava com agrupamentos de agulhas redondas — round — que podiam variar de 3 a 19 agulhas.
Mais do que discutir o que era “certo” ou “errado” tecnicamente, observar essas escolhas nos permite compreender como o conhecimento da tatuagem também foi sendo construído por aqueles que experimentaram antes de nós.
Essas peças, portanto, não são apenas ferramentas antigas.
São documentos de uma época.
Carregam técnica, adaptação, memória e identidade.
Preservá-las é reconhecer que a história da tatuagem brasileira não começou com a profissionalização do mercado, com os equipamentos modernos ou com o acesso à informação que temos hoje.
Antes disso, existiram mãos que criaram caminhos onde eles ainda não estavam prontos.
Bingha é parte dessa história.
E contar sua trajetória é também reconhecer a contribuição da Bahia e do Nordeste na construção da tatuagem brasileira.
Honrar quem veio antes é compreender melhor o caminho que nos trouxe até aqui.
Bingha presente na história da tatuagem brasileira.
Bingha presente no Museu Tattoo Brasil. ✊🏽
Somos todos guardiões dessa memória.