02/11/2022
PÉROLAS À PORCOS?
Uma das maiores lições de humildade que tive foi por conta deste aforismo que eu julgava interpretar com tanta sabedoria e que quando meu mestre me mostrou seu verdadeiro significado, me deixou profundamente envergonhado de meus prepotentes ego e orgulho.
E mais ainda: Chocado com a gravidade dos danos que eu causava quando propagava petulantemente o engano do qual eu era tão convicto, acreditando com todo o meu coração que estava ajudando.
Porcos não sabem o valor de uma pérola, nem por conta de sua beleza, ou de sua raridade, ou de seu valor, dizia eu, e nem por conta do significado de resiliência da ostra que combate o mal ou a própria dor produzindo esta mesma beleza, acrescentava todo empavonado.... Ledo engano.
“O porco é quem sabe o verdadeiro valor da pérola”, começou assim meu mestre, “Beleza e valor material nunca foram valores verdadeiros à luz da sabedoria legítima; tampouco se pode dizer que a ostra vence o mal quando o reveste de beleza, lisura e fulgurância, já que por outro ponto de vista, ela apenas está mascarando o mal, sem extirpá-lo do seu próprio ser, que é o que devemos fazer”.
Já neste ponto, vi desmoronar minhas convicções e com elas meu ego e meu orgulho, mas seguiu o Mestre sem tréguas:
“Já o porco sabe que a pérola nada mais é do que cálcio da melhor qualidade e vorazmente as devora em prol da própria saúde, único valor intrínseco e verdadeiro de uma pérola: fonte de cálcio.
Porém, este cálcio está cristalizado, extremamente duro, na forma de carbonato de cálcio, combinado com algumas proteínas e ao comer as pérolas os dentes do porco trincam, quebram e invariavelmente se perdem, deixando o porco sem possibilidades de se alimentar a levando-o à morte, ou seja:
Não se deve dar pérolas aos porcos porque, embora saibam perfeitamente bem o valor legítimo da pérola, não têm discernimento sobre o que significa um cristal, para, enfim, protege-los de sua própria ignorância acerca de valores superiores às suas consciências.
Sua interpretação está deturpada pela busca de justificativas para suas mazelas e na tentativa de justificar a si mesmo mascarando o mal que existe no seu interior com uma cobertura bela, lisa e fulgurante”.
Não bastasse tudo isso, ainda acrescentou:
“Frequentemente as ostras e mexilhões morrem quando as pérolas são retiradas ou quando os corpúsculos são inseridos propositalmente em seu interior nas fazendas de pérolas e isso só para obter beleza, lisura e fulgor para adornar o ego humano e nada mais, morre o porco, morrem as ostras, morte, morte, morte, é isso o que a ignorância produz, principalmente quando fantasiada, maquiada de grande beleza, impecável lisura e duvidoso valor”.
“Mas não fique triste, mais de noventa por cento de tudo o que se prega de “sabedoria” e “espiritualidade” no mundo hoje é assim, pseudos, pseudos, pseudos, aprenda a ter por base princípios e não razões, ou seja, a LEI, não tente fazer a sua própria, ou senão, contente-se com seu próprio universo: pseudo, pseudo, pseudo.”