27/03/2026
Demorei para entender com clareza o meu porquê na fotografia.
No começo a gente acha que fotografa por gostar de câmeras, de luz, de composição, de ver uma imagem bonita nascer. E sim, tudo isso importa. Mas com o tempo eu percebi que o meu porquê nunca foi só a fotografia em si. O meu porquê sempre foi guardar a vida acontecendo. Foi transformar instantes em memória, sentimentos em imagem e histórias em algo que o tempo não consegue apagar.
E quando entendi isso, também entendi outra coisa importante: não existe problema nenhum em usar esse dom para ganhar dinheiro e sustentar a vida. Muito pelo contrário. Viver daquilo que se ama, com verdade, dignidade e entrega, é uma benção e também uma responsabilidade.
A fotografia colocou comida na minha mesa, ajudou a sustentar a minha casa, me permitiu sonhar, cair, recomeçar e seguir em frente. E isso tem muito valor.
São 20 anos de carreira, milhares de ensaios, milhares de eventos, milhares de histórias que passaram pelas minhas mãos e pelos meus olhos. Gente sorrindo, chorando, casando, se formando, esperando filhos, comemorando conquistas e vencendo fases difíceis. Em cada uma dessas histórias eu deixei um pedaço de mim. E em troca, a fotografia também foi me moldando, me ensinando e me mostrando quem eu sou.
Hoje olho para trás com orgulho. Não por achar que foi fácil. Não foi. Mas porque foi verdadeiro. E olho para frente com ainda mais vontade. Se os primeiros 20 anos foram de construção, aprendizado e resistência, eu sinto que os próximos 20 podem ser ainda melhores. Mais conscientes, mais leves, mais maduros e com ainda mais verdade.
Porque agora eu sei o meu porquê.
E quando a gente entende o porquê, o trabalho deixa de ser só trabalho. Ele vira caminho, sustento, legado e missão.
Que venham os próximos 20 anos.
Com o coração no lugar certo, a experiência de quem já viveu muito e a mesma vontade de seguir contando histórias que realmente importam.
Vai ser feliz!