01/09/2016
Release do dj E-0
O primeiro LP comprado por mim foi o ‘The River’ do Bruce Springsteen en 1979. No entanto, foi numa viagem a Portugal com meus irmaos, no verão 1980 que conheci o novo som que chegava da Inglaterra. Compramos o 1° disco do U2, Duran Duran e outros. Ouvindo o programa de radio do Bernar Lenoir na Radio France Inter que tomei gosto pelo som alternativo e eletrônico. Apesar de ja estar antenado com a coldwave, graças a um professor de inglês, que me ofereceu o ‘Unknow Pleasures’ do Joy Division em 1980, não era o som que rolava nas ‘boums’ (festas) da galera na época. Aguentando o ostracismo devido a pouca popularidade desses sons, continuei dando vazão a este gosto peculiar por musicas fora do mainstream. Nesse ano, saiam os primeiros LPs de Depeche Mode, Duran Duran, Eurythmics e New Order. Claro enveredei pelo camino do synth-pop, apos um inicio meio que estranho quando o post-punk enveredou por varias direções, ‘new romantics’, ‘dark wave’, ‘EBM’ e industrial.
Animado com essa leva de batidas diferentes, e aproveitantando a explosão das ‘radio piratas’ que pipocaram apos a eleição do François Mitterand, consegui um horário numa das 2 radios de Millau; a Radio Trénels, a mais alternativa das duas. Então, aos sábados a noite, comecei a brincar com as carrapetas, mandando essa tal de ‘nova onda’ nas ondas do radio desse cidade interiorana. Apesar da satisfação pessoal de tocar esse tipo de musica, o programa não atraia muita gente devida a proposta bem vangardista. Enfim durante 2 anos, foi ao ar esse programa.
Em 1981, com apenas 16 anos, me foi oferecida a oportunidade de discotecas numa discoteca decadente em Millau no sul da França. Como as modas demoravam a chegar na França, o q se ouvia na época era o Disco, e la no interior da França, não era diferente. Fiz o meu set com os meus discos e usando alguns dos poucos da casa, levei minha missão de evangelizar as pistas de dança… Claro minha proposta estava a anos luz do que esperavam de mim e no fim da noite, o dono da discoteca se negou a me pagar. P da vida aproveitei pra levar emprestado alguns dos poucos LPs que tinha gostado; lembro do ‘Escape Artist’ do Garland Jeffreys (1981), do ‘Nightclubbing’ Grace Jones e o Sandinista do Clash… Desventura essa que muito DJ em inicio de carreiro deve ter encarada.
Paralelamente, prestei vestibular e apos conseguir meu ‘Baccalauréat’, mudei-me para a cidade de Toulouse onde ingressaria na Faculdade de Direito. Apos me entrosar com o grêmio estudantil da faculdade, comecei um programa mais regular nas ondas da Radio Campus Toulouse (http://www.campusfm.net).
Durante 2 anos, com a ajuda da Samira Bassil, musa libano-polonesa do programa e fornecedora de mao cheia de novidades vindas diretamente de Londres, o Juan Punk madrilenho que oficiava na tecnica, es as presenças constantes do Cédric e de de um outro amigo mod que me introduziu ao mundo do Paul Weller. Essa mistura entre The Jesus & Mary Chain, New Order, This Mortal Coil, Cocteau Twins, Chris & Cosey, Depeche Mode e tantos outros foi o que nutriu a programação do ‘Sound & Fashion’ todas as quartas entre 1984 e 86.
Como Toulouse recebia todas as turnés pude ver de perto muitos dos meus artistas favoritos na época. O Cocteau Twins fazendo a 1a parte do ‘Dazzle Ships’ do OMD. O Simples Minds no final da sua fase mais interessante; a eletrônica antes da fase pop-brega ‘don’t You’…
Como toda a cena Rock de Toulouse se conhecia, fiz amizade com o ‘Dau Al Set’ que era a banda mais quente do momento; um que de Joy Division que me fez conhecer a Radio FMR (http://radio-fmr.net); onde iria trabalhar de 1986 a 1987, uma ano antes de vir para o Brasil. Foi uma ano cheio de enriquecimentos, tanto a novo pessoal como musical.
Encarregado de fazer entrevistas par a emissora, pude conhecer mais de perto os artistas que despontavam nessa época. Me lembro de um show memorável dos Garçons Bouchers no Bikini que foi um arraso. Tinha conseguido um patrocínio da empresa ‘Charcuteries de Lacaune’ que forneceu boudins e outros embutidos, para dar aquele ambiente bem… Fora a tela de cena imensa que pintamos meu amigo Turnip-aka-Spock e eu. Paralelamente tínhamos montado um grupo de proto-jazz onde atuava como baixista…
Como a radio era associativa, a maioria das pessoas que atuavam na programação tinha trabalho por fora e so apresentavam seus programas em geral a noite e era preciso gravar uns sets de musicas para ocupar os horários da madrugada e os que não era preenchidos. Por isso gravei muitas fitas com o melhor da musica independente da época. Chegando no Rio, de inicio nao achei o mesmo referencial e acabei enveredando por outras areas.
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