16/10/2012
Exposição celebra os 100 anos de Dona Zica
Mostra no Centro Cultural Cartola resgata trajetória da mangueirense
e dá início às comemorações de seu centenário
Viúva de um dos mais importantes ícones da música brasileira, Cartola, Euzébia Silva de Oliveira, que se tornaria conhecida pelo pseudônimo de Dona Zica, completaria 100 anos em 6 de outubro de 2013. Para dar início às comemorações do centenário da ilustre mangueirense, o Centro Cultural Cartola (CCC), com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura, abre no próximo dia 20 de outubro a exposição Dona Zica – Da Mangueira e do Brasil, mostra que traça um panorama da vida e obra desta figura exponencial, integrante da Velha Guarda da Estação Primeira de Mangueira até a morte, em 2003. Com curadoria de Nilcemar Nogueira, a exposição f**a em cartaz de 20 de outubro de 2012 a 29 de abril de 2013 e tem entrada gratuita.
Iniciar essas comemorações num mês em que se festejava o aniversário de Cartola foi, é claro, mais uma forma de reverenciar o amor que, por décadas, os uniu. Dona Zica nasceu em 06 de fevereiro de 1913, num domingo de Carnaval - lembra Nilcemar, neta do famoso e adorado casal-ícone da verde-e-rosa.
Os festejos que celebrarão o centenário de Dona Zica terão seu ponto alto no Carnaval de 2013, quando a Cidade do Rio de Janeiro a reverenciará com um emblemático baile em sua homenagem. Até lá, fotos, livros, vídeos e áudios estarão reunidos nesta delicada mostra, que apresenta detalhes da trajetória de luta deste importante personagem que se tornou um ícone do universo do samba. A exposição também desvenda boa parte da vida e obra do mestre Cartola e da história da própria Mangueira.
DONA ZICA - DA MANGUEIRA E DO BRASIL
Euzébia Silva de Oliveira, a Dona Zica, nasceu num domingo de Carnaval, 6 de fevereiro de 1913, no bairro carioca de Piedade. Com quatro anos de idade foi morar, com a família, no Buraco Quente, no Morro da Mangueira. Lá conheceu e conviveu com Cartola, para quem, mais do que esposa, foi musa inspiradora e companheira dedicada. Sua personalidade forte impulsionou a vida e a carreira do grande mestre. Nascia ali também um amor incondicional pela Mangueira, pelas culturas carioca e brasileira. Sua relação com a comunidade mangueirense a converteria na grande dama da verde-e-rosa. O jeito delicado e vaidoso, o apego à vida, a dignidade e a altivez transformaram-na em umas das mais fortes lideranças femininas do samba carioca.
Dona Zica também conquistaria a fama de uma das mais importantes culinaristas do Rio. Quem não ouviu falar de seu famoso feijão? Afamada por seu talento de cozinheira inspirada e por toda sua dedicação ao samba, conquistou seu espaço social e político e contribuiu para a manutenção de nossos valores culturais. Uma de maiores contribuições à cultura brasileira foi abrir no centro do Rio com o marido ilustre um restaurante que entraria para a história da MPB: o Zicartola, estabelecimento que funcionava no segundo nível de um sobrado de três andares localizado na Rua da Carioca, número 53. Neste espaço, criado inicialmente para servir refeições, passaram a se reunir, ao fim das tardes, sambistas que lá encerravam o dia de trabalho ao som de batucadas. Com o crescimento das escolas de samba na década de 1960, os antigos compositores, que perderam espaço com este fenômeno, passaram a buscar refúgio no Zicartola, entre eles Zé Keti. Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho, Ismael Silva, Aracy de Almeida e a eles juntaram-se grandes nomes da bossa nova, como Carlos Lyra e Nara Leão que também se apresentaram por lá. O local também foi palco do lançamento de Paulinho da Viola.
SERVIÇO:
O que: “Dona Zica – Da Mangueira e do Brasil”
Onde: Centro Cultural Cartola (Rua Visconde de Niterói,1296
Contato:Tel.: (21) 32345777 - Rio de Janeiro email: [email protected])
Quando: de 20 de outubro à abril de 2013 (Segunda à sexta, de 10h às 17h)
Entrada: Gratuita