A Associação de Cultura Popular Mandicuera é uma entidade formada por um grupo de artistas populares e mestres interessados em revitalizar atividades culturais da região litorânea do estado do Paraná. Tem como lema a preservação e difusão do nosso patrimônio imaterial. A intenção de se criar uma instituição que representasse estas atividades de forma jurídica se deu a partir do momento em que os g
rupos artísticos recebiam um número expressivo de integrantes, mas não apresentavam condições administrativas e jurídicas na gestão e manutenção das atividades culturais executadas. O sonho de se criar uma Associação nasceu com o sonho de dar visibilidade a cultura caiçara e dar sustentabilidade a estes grupos. Antes de se transformar em Associação estes grupos (Terno de Folia, Caiçaras do Paraná e Mandicuera) se reuniam para realizar atividades culturais populares como Fandango, Folia do Divino Espírito Santo, Pau-de-Fitas, Balainhas, Entrudo/Carnaval, Boi-de-Mamão, Terço Cantado, Cavalo de Cesto, além de fomentar a culinária caiçara, seja nas farinhadas promovidas pela associação, que conta com uma casa de farinha típica, montada com peças centenárias restauradas para este fim, servindo pratos e bebidas típicas em festas e eventos promovidos pela Associação. São iniciativas da associação alguns eventos culturais como a Festa do Fandango, Festa do Divino, Pixilhão Prô Fandango, Movimento Caiçara. Além da ligação direta em eventos como o Festival de Cultura Popular do Litoral do Paraná. A Associação Mandicuéra promove estas ações consciente do papel transformador que a cultura pode assumir para as comunidades envolvidas. Com sede na Ilha dos Valadares a Associação Mandicuéra foi fundada em 2004, tendo como principal objetivo agregar iniciativas que visam a prática, o estudo e a difusão da Cultura Popular Caiçara, sempre tendo como intuito de unir jovens e mestres, crianças e adultos valorizando modos de criar, fazer e viver desses grupos. A Mandicuéra acredita que a participação ativa da comunidade na criação e execução de ideias e propostas que envolvem seus saberes e fazeres é fundamental, dessa forma, buscamos capacitar jovens e mestres, a fim de instrumentalizá-los para fazerem uso de seus próprios conhecimentos. A experiência desenvolvida pela Associação Mandicuera tem tido como tema as manifestações culturais e artísticas da cultura popular do litoral, mergulhada em um universo conhecido como caiçara. Em um primeiro momento o foco dessas manifestações foi o fandango batido, e a revitalização de grupos, tocadores e dançadores de fandango. Entre os anos de 2006 e 2007 a Associação desenvolveu o Projeto Fandango na Escola, que produziu material didático (CD, DVD e cartilha) e aplicou atividades ligadas à cultura caiçara, promovendo o aprendizado do fandango como expressão ligada à identidade da população do litoral. Através deste projeto e da experiência adquirida por seus integrantes em oficinas de repasse da cultura caiçara, a equipe elaborou metodologia própria, que contou com Capacitação de Monitores e Professores da Rede Estadual de Ensino, em 47 escolas espalhadas pelas cidades do litoral do Paraná, promovendo discussões sobre cultura popular e educação. Também em 2006, a Associação realizou o projeto Rabecando – A Preservação Através do Repasse, que – mesclando conhecimentos tradicionais com metodologias de ensino mais próxima da realidade dos jovens – promoveu oficinas de construção dos seguintes instrumentos musicais caiçaras: Rabeca, Viola, Caixa, Machete e Adufo. Em 2008, integrantes da Associação, ministraram atividades para capacitação de indígenas Mbya Guarani da Ilha da Cotinga, para confecção de instrumentos musicais, especificamente do Mbaraka, instrumento que apresenta semelhanças organológicas a viola de Fandango, utilizado ritualmente de modo percussivo, somando apenas cinco cordas e que são tensionadas sobre um espelho sem trastes, historicamente vinculado a viola de cinco ordens europeia. A realização da oficina, uma das metas do foi coordenada por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná e financiada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Tendo o fandango como base de suas atividades, a Associação Mandicuéra tornou-se referência no litoral do Paraná e de São Paulo quando o assunto é cultura caiçara. A construção da sede foi um dos maiores objetivos já alcançados, firmando entre 2009 e 2011 convênio como Ponto de Cultura junto ao Minc. Neste período, a Associação desenvolveu ações importantes como apresentações e oficinas. Em 2009/2010 através da lei de incentivo/ mecenato subsidiado da cidade de Curitiba, a Associação confeccionou os primeiros instrumentos para a formação da Orquestra Rabecônica do Brasil, além dos instrumentos usualmente utilizados no Fandango, a inventividade dos construtores envolvidos no projeto, agregou a prática orquestral o Rabelo e Rabecão (instrumentos que apresentam similaridade organológica com o Cello e o Baixo Acústico de arco). A opereta popular Açucena, é o produto artístico resultante da frutífera parceria entre músicos parnaguaras, músicos curitibanos e pesquisadores da área. Em 2010 o Ministério da Cultura reconhece o trabalho desenvolvido pela entidade, premiando a pelo edital das culturas populares edição Dona Isabel, oportunizando a construção do Museu Capela do Divino Espírito Santo e da Santíssima Trindade, com o objetivo de guardar objetos, fotos e indumentárias como também promover cerimônias e cantorias desta tradição. Em 2012 ganhou o prêmio Economia Viva pelo projeto Fabriqueiros, que possibilitou a criação de uma marcenaria, compra de máquinas e ferramentas para construção de instrumentos e artesanato. Em 2013 os dois mestres da cultura popular José Martins Filho ( Zeca da Rabeca) e Aorelio Domingues ( mestre da Folia do Divino e do Fandango), foram premiados pelo Ministério da Cultura /Edital das Culturas Populares prêmio Mazzaropi, pelos trabalhos de salvaguarda e de repasse das manifestações tradicionais. A Associação de Cultura Popular Mandicuera recebeu apoio da Petrobrás em 2003 através da TRANSPETRO para a realizacão da I Festa Do Fandango da Ilha dos Valadares e desde então toma a frente da realização da mesma, que desde 2013 conseguiu apoio da prefeitura de Paranaguá. Em 2015, 2016 e 2017 a Associação Mandicuera desenvolveu o projeto Artesânias Caiçaras que possibilitou a entrega de 42 instrumentos do fandango a comunidade fandangueira de Paraty, Guaraqueçaba, Ubatuba, Guaratuba, Cananéia e Paranaguá. Em 2016 realizou o projeto Lutheria Caiçara que deu oficinas de construção de intrumentos de fandango no município de Paranaguá. No ano de 2017 foi gestora do projeto O de Casa que criou um circuito de festas do fandango no território caiçara entre Paranaguá (que já existia) e outras cidades como Guaraqueçaba, Maruja ( Cananéia), Ubatuba, Iguape e Cananéia. E desde então o Grupo participa de todas as Festas de Fandango das localidades e levando na bagagem o Grupo Mestre Eugênio. Desde 2016 o Grupo Mandicuera torna-se parceiro do Grupo Mestre Eugênio para ensinar crianças os toques e danças do fandango. No ano de 2017 ganha dois Prêmios Arte Paraná que a leva viajar num circuito pelo estado Paraná com a Folia do Divino e com as Festas do Fandango. Em 2017 a Mandicuera e Mestre Aorelio lançam seu primeiro CD Amannhece- fandango pancada, que gera inúmeras apresentações de fandango. A Associação Mandicuera através do seu trabalho foi premiada pelo Ministério da Cultura em 2010 com o Prêmio Dona Izabel, 2018 Prêmio Selma do Coco. Em 2018, pelo Iphan como Grupo de Fandango Caiçara. No ano de 2019 o Grupo Mandicuera vence o Edital do SESI levando o fandango há 13 municipios paranaenses. No mesmo ano Mestre Aorelio Domgues, seu líder ganha o prêmio Teixeirinha. Em 2019 a Mandicuera recebe a reforma de sua sede através do Programa TCP- Bem Cultural Fandango Caiçara. Entre os anos de 2019 e 2020 a associação teve um programa de rádio na litoral sul fm chamado No Vanzeiro do Fandango. Em 2020 a Mandicuera foi pioneira nas lives de fandango, criação de vídeos aula, Romaria do Divino virtual para atender a demanda causada na pandemia. A associação também auxiliou seus Mestres Zeca, Aorelio e Poro de Jesus na elaboração de projetos e prêmios estaduais como mestres da Lei Aldir Blanc. Desde 2020 a Mandicuera está na luta e debates pela criação da Escola Popular. Em 2022 ela esta ministrando cursos de teatro, música, construção de bonecos para crianças da escola municipal através do projeto Viva o Boi de Mamão, e através deste mesmo projeto grava seu cd com as toadas do auto do boi.