24/04/2026
O Banquete de Vidro e Mel
No coração da selva, onde o v***r é véu,
Paira uma fada de asas cor de céu.
Ela baila entre cipós e troncos de musgo,
Longe do mundo humano, do barulho e do luto.
Ao redor, pendem jarras de um verde carnal,
Nepenthes suspensas em um rito fatal.
Banhadas em néctar, promessa e veneno,
Sentinelas de seda num reino pequeno.
A pequena criatura, com dedos de luz,
Toca a borda cerosa que o inseto seduz.
Ela sabe o segredo do poço profundo:
Onde a vida se finda para nutrir o mundo.
"Bebe, ó planta, o que o destino te traz,
Transforma em seiva o que não voa mais."
A fada não teme o abraço do jarro,
Pois ela é o sopro, e a planta é o barro.
Juntas compõem, sob a luz do luar,
O estranho banquete de quem sabe esperar.