12/12/2022
O cinema é um mergulho, mas também um sobrevoo, é um esmiuçar, é o potencial das máquinas voltado para o acuro do olhar, é um ÓCULOS, com o objetivo de nos melhor enredar na teia da vida.
Ser espectador de algo que pretenda traduzir o que habita nossos corpos e mentes é desafiar-se, na medida em que alguém se dispõe ao contraste com uma tentativa, em última instância, de revelação daquilo que nós, individualmente, pensamos e sentimos, porém temos dificuldade em verbalizar.
Por isso a arte é uma espécie de serpente que não cansa de perseguir-se, pois é na busca de si que tenta, nem que seja somente pelos seus rastros, materializar o intraduzível que é a experiência humana de viver. Todo ato de contar é também ato de trair-se, traição que almeja uma fidelidade para com o desejo de significar genuinamente o sonho de ter nascido.
Um cineclube é um mecanismo de APRENDIZADO COLETIVO, ver junto é sentir junto, sentir junto é ter potência para criar um ambiente que permita uma melhor comunicação das coisas que sentimos, possibilitando, assim, um fértil resultado final na busca por tatear o mundo. Tais espaços de debate têm essa função, para além da fruição individual que uma obra de arte suscita, seja qual for a sua natureza.
“Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado, com certeza vai mais longe!” - Clarice Lispector.