18/09/2026
Um homem me disse numa sessão que não conseguia se entregar à relação porque “ainda não estava pronto, ainda precisava resolver suas questões, ainda não estava bom o suficiente”. Ele falava isso aos cinquenta e dois anos e depois de três casamentos. A perfeição, para ele, era uma estação onde ele esperava um trem que nunca chegava.
Bert Hellinger escreveu:
”Só se pode amar o imperfeito. O perfeito não nos atraí. Descansa em si mesmo, bem longe da vida normal.”
Há algo profundamente disruptivo nessa frase. Ela inverte tudo o que a cultura do autoaperfeiçoamento nos vende. A indústria do “seja melhor” nos convence de que precisamos chegar a uma versão idealizada de nós mesmos antes de merecer amor. Mas Hellinger diz: a perfeição é estéril. Ela não atrai. Ela não conecta. O que conecta é a rachadura, a falha, o lugar onde a luz entra. É a nossa imperfeição que torna possível o dar e o receber. Porque quem se sente perfeito não precisa de nada. E quem não precisa de nada não troca. E quem não troca não ama de verdade.
O equilíbrio entre dar e receber só é possível entre imperfeitos. Pense bem: se você fosse completo, o que receberia? Se o outro fosse completo, o que você daria? É exatamente a nossa incompletude que cria o espaço para a troca. A nossa necessidade quando honrada, e não negada, é o que move o fluxo do amor. Quando aceitamos nossa imperfeição, paramos de exigir do outro que ele nos complete e começamos a trocar a partir do que somos: obras em andamento, jarros rachados, mas funcionais.
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