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M-Arte Angola M-Arte Angola é uma empresa de produção de eventos culturais com sede em Luanda-Angola.

🔥 PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA DE ANGOLA, POETAS FRENTE À FRENTE.Metade destes poetas vai para casa.Durante 6 anos, o O...
27/10/2026

🔥 PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA DE ANGOLA, POETAS FRENTE À FRENTE.

Metade destes poetas vai para casa.

Durante 6 anos, o Orgasmo Literário levou 12 a 15 poetas ao palco numa única tarde, diante de um júri especialista. Esta temporada, mudámos tudo: Criamos o confronto directo. Eliminação directa. Quem perde, sai.

E desta vez, quem decide também és tu.

O júri vale 60%. O público vale 40%, e esses 40% vão por inteiro para o poeta mais votado nas urnas do auditório. Faz as contas: são 3 jurados, cada um vale 20%. O preferido da plateia só precisa de convencer um deles para vencer. Mas se o júri for unânime contra ele, nem o auditório inteiro o salva.

O teu voto pode virar uma batalha. Vais deixar que outros decidam por ti?

📅 Sábado, 31 de Outubro
🕑 Das 14h às 18h
📍 Auditório do Goz'Aqui, ex-Casa do Desportista, Ilha de Luanda
🎟️ 3.000 Kz
📲 Info e reservas (WhatsApp): 972 847 772

Doze poetas sobem ao palco. Só seis descem com vida. De que lado vais estar?

Produção: M-Arte Angola |
Apoio: Agrogebil

🔥 CHEGOU A HORA DE CONHECER OS APURADOS!Depois de dias de preparação, gravações e expectativa, chegou o momento de conhe...
17/10/2026

🔥 CHEGOU A HORA DE CONHECER OS APURADOS!

Depois de dias de preparação, gravações e expectativa, chegou o momento de conhecer os 12 poetas apurados para os quartos-de-final do Orgasmo Literário!

A todos os participantes, o nosso respeito e agradecimento. Cada poeta deixou a sua marca nesta edição, e a eliminação não apaga o mérito, a dedicação nem o talento demonstrados.

🏆 31 DE OUTUBRO — QUARTOS-DE-FINAIS

Se ainda não assististe às batalhas da primeira fase, visita o YouTube e procura o canal BATALHAS DE POESIA.

Aos apurados, o desafio continua. Ao público, o convite está feito: juntem-se a nós presencialmente! Os ingressos custam 3.000 Kz. Afinal, precisamos do vosso calor — mas têm de comprar o ingresso! (risos)

📢 Atenção: os emparelhamentos serão revelados paulatinamente ao longo do dia. Fiquem atentos!

🔥 No Orgasmo Literário, cada verso conta. Cada actuação deixa uma marca. E cada poeta faz parte da história.

M-ARTE ANGOLA — ESTAREMOS AQUI PARA MAIS!

12/10/2026
ANTES DE LER…Lembro-me que eu saía do Sumbe para Luanda quando um rapaz que eu conhecia, pediu-me que o ajudasse a criar...
17/09/2026

ANTES DE LER…

Lembro-me que eu saía do Sumbe para Luanda quando um rapaz que eu conhecia, pediu-me que o ajudasse a criar um texto poético sobre Agostinho Neto para uma festividade da escola. Confesso: não sou um apreciador da poesia de Neto. Conheço a importância histórica da sua figura, mas nunca fui daqueles que se sentam voluntariamente para mergulhar na sua obra por achar fraca. Ainda assim, aceitei o desafio.

Fui pesquisar.

Li poemas, anotei os títulos, procurei recorrências, ritmos e algumas das construções que atravessam a sua escrita. E, ao ler os seus textos, comecei a perceber um pouco melhor como Neto construía a sua poesia: a relação entre a terra e a memória, entre o homem e a História, entre a dor individual e a consciência colectiva.

Depois, como sempre fui muito bom com trocadilhos, sem qualquer modéstia à parte, peguei na caneta.

Mas, em vez de simplesmente escrever sobre Neto, resolvi escrever com Neto.

Ou melhor: tentei entrar no seu estilo e devolvê-lo dentro de uma outra voz. Algumas expressões foram retiradas directamente dos títulos dos seus poemas; outras foram transformadas, torcidas ou colocadas em confronto com aquilo que eu próprio queria dizer.

Assim nasceu “Ode à Neto”.

O poema é, portanto, uma espécie de jogo literário: uma conversa entre a minha escrita e os ecos da escrita de Agostinho Neto. Quem conhece a sua obra encontrará referências; quem a conhece melhor encontrará ainda mais.

No fim, ficou isto.

Agora, leia-se.

ODE À NETO

Por: Yadhiro Di Pedro Barroso
28/09/2023

MEIA-NOITE NA QUITANDA
Nas CURTAS HORAS, com os OLHOS SECOS
Sinto na minha voz
A VOZ DO SANGUE
O FOGO E O RITMO aqui no CÁRCERE
NA PELE DO TAMBOR

A minha voz igual O CHORO DE ÁFRICA
Que leva os CONTRATADOS
Na PARTIDA PARA O CONTRATO
Percorrendo O CAMINHO DAS ESTRELAS
Percorrendo o CAMINHO DO MATO

AS TERRAS SENTIDAS
Onde passei a vida
Até dar o ADEUS À HORA DA LARGADA
Ao VELHO NEGRO
Ao MUSSUNDA AMIGO
Que no KINAXIXI, apesar da negação,
Andamos à orça
Do povo buscamos a força
Para a CONSCIENCIALIZAÇÃO

Vejo O IÇAR DA BANDEIRA
Sob os ventos de improvisos
O negócio da quitandeira
Sob os pés de policiais indecisos
Angola
NÃO ME PEÇAS SORRISOS

Andaste à sombra do amor próprio
Hoje vives no ÓPIO
No indefinível
E a RENÚNCIA IMPOSSÍVEL
Já é possível aqui

Aqui
Onde finda a inspiração
E jogo no chão
UM BOUQUET DE ROSAS PARA TI.

“NINGUÉM É OBRIGADO A ACREDITAR NUMA PESSOA QUE SE DESACREDITA”Por: YADHISTÓTELESEssa crónica tem o patrocínio da: Agrog...
15/09/2026

“NINGUÉM É OBRIGADO A ACREDITAR NUMA PESSOA QUE SE DESACREDITA”

Por: YADHISTÓTELES

Essa crónica tem o patrocínio da: Agrogebil.

Há uma coisa curiosa que eu noto nas relações humanas: queremos que os outros acreditem em nós mesmo quando fazemos um trabalho extraordinário para lhes ensinar a duvidar. É quase uma espécie de exigência moderna: “Confia em mim.” E a pergunta inconveniente é: porquê?

Porquê confiar?

Porque pediste?
Porque somos amigos?
Porque somos casados?
Porque somos irmãos?
Porque trabalhamos juntos?
Porque disseste que desta vez vai ser diferente?

Desde quando uma promessa passou a valer mais do que o comportamento de quem a pronuncia?

É engraçado como algumas pessoas tratam a confiança como um direito adquirido. Mentem, desaparecem, falham, prometem, voltam a falhar e, quando percebem que já ninguém acredita nelas, ficam ofendidas. A ofensa chega antes da reflexão. “Como é que podes não confiar em mim?” Ora, da mesma maneira que tu aprendeste a não merecer confiança: através de experiências.

Há uma certa injustiça em culpar a memória dos outros pelos nossos próprios actos.

Imagina um casal. Duas pessoas entram numa igreja, num altar, numa cerimónia ou simplesmente numa decisão íntima e prometem ficar juntas na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença. Bonito. Poético. Quase cinematográfico. Mas o casamento não acontece apenas no altar. O problema começa quando a realidade aparece sem maquilhagem.

Porque é fácil prometer companhia na pobreza quando ainda não sabemos o preço da pobreza. É fácil prometer companhia na doença quando ainda estamos saudáveis. É fácil jurar fidelidade quando ninguém colocou a relação à prova.

E se um dos dois passa anos sem procurar trabalho com seriedade, apesar de ter condições para procurar? O outro deve continuar a carregar tudo porque existe uma promessa feita diante do altar?

E se uma mulher decide empreender, mas não leva o próprio negócio a sério, não estuda o mercado, não procura melhorar, não cumpre compromissos e trata o projecto como um hobby enquanto espera que o marido continue a financiar o sonho? O amor transforma automaticamente a irresponsabilidade em investimento?

E se um dos dois se recusa a estudar, a formar-se, a adquirir novas competências e depois acusa o parceiro de não acreditar no seu potencial? Em que momento acreditar no potencial de alguém passa a significar ignorar a ausência de esforço?

Há uma diferença entre atravessar uma fase difícil e transformar a dificuldade numa residência permanente.

Ninguém está a dizer que uma pessoa desempregada é preguiçosa. Eu seria a última pessoa a dizer isso.
Ninguém está a dizer que quem fracassa num negócio não merece apoio.
Ninguém está a dizer que uma doença emocional é falta de carácter.

A questão é outra: o que estamos realmente dispostos a fazer quando dizemos que queremos mudar?

Porque uma pessoa pode estar deprimida e precisar de ajuda. Pode estar doente e precisar de tratamento. Pode estar emocionalmente destruída e precisar de tempo. Tudo isso merece compreensão.

Mas e quando a própria pessoa recusa sistematicamente procurar ajuda?
E quando ignora os conselhos para fazer terapia?
E quando transforma a própria doença numa desculpa para não assumir qualquer responsabilidade?
E quando começa a tratar agressivamente quem tenta aproximar-se?
E quando promete procurar ajuda, promete mudar, promete controlar o comportamento e, depois, tudo volta ao mesmo?

Em que momento a compreensão começa a ser confundida com autorização para continuar a destruir?

Essa é uma pergunta perigosa porque pode ser aplicada aos dois lados. Homens podem fazer isso. Mulheres também. A doença não escolhe género, mas a responsabilidade também não deveria escolher.

Uma pessoa pode estar doente e continuar responsável por procurar tratamento. Pode estar ferida e continuar responsável por não ferir deliberadamente quem está ao seu lado. Pode precisar de ajuda sem transformar o outro em enfermeiro, psicólogo, terapeuta, s**o de pancadas, banco, salvador e funcionário emocional em regime de vinte e quatro horas.

O amor pode acompanhar uma pessoa até à porta de um consultório.
Não pode obrigá-la a entrar.

E isso vale para muito mais do que relacionamentos.

Mulheres abandonam homens. Homens abandonam mulheres. Pessoas que juraram envelhecer juntas começam a comportar-se como se tivessem sido obrigadas a participar num concurso de resistência emocional. Depois aparece a narrativa: “Ele mudou.” “Ela mudou.”

Mas será que o problema foi a mudança?

E se o problema tiver sido a insistência em continuar ao lado de alguém que já demonstrava, há muito tempo, que não queria cumprir aquilo que tinha prometido?

Porque também existe uma forma bastante confortável de contar histórias: apresentar o abandonado como vítima e o que abandona como vilão. Só que a vida raramente respeita argumentos tão organizados.

Há abandonos que são crueldade.
Há abandonos que são cobardia.
Há abandonos que são libertação.
Há abandonos que são simplesmente a consequência de alguém ter passado demasiado tempo a pedir ao outro que mudasse.

E se algumas pessoas não abandonassem relacionamentos por falta de amor, mas por excesso de desgaste?

A família também conhece este fenómeno. Há irmãos que passam a vida a dizer que precisam de apoio, mas fazem pouco para sair do lugar onde estão.
Eu próprio posso falar disso com alguma propriedade por estar nos Estados e ter os meus irmãos em Angola.
Existe quem como eu tenha uma mão estendida e, do outro lado, encontre uma pessoa determinada a continuar deitada.

Em que momento ajudar deixa de ser apoio e começa a ser uma forma elegante de alimentar a desistência?
Será que amar um irmão significa ajudá-lo sempre?
Ou significa, em algum momento, perguntar por que razão ele não está disposto a ajudar-se?

É uma pergunta desagradável, porque fomos educados para acreditar que família é sinónimo de obrigação. Só que parentesco não fabrica carácter. O sangue pode criar uma relação biológica; não garante responsabilidade, gratidão, disciplina ou vontade de crescer.

Também não existe nenhuma cláusula genética que determine que um irmão deve passar a vida inteira a salvar outro irmão das consequências das próprias escolhas.

E quando alguém está disposto a ajudar financeiramente, emocionalmente ou profissionalmente, mas percebe que o outro não demonstra qualquer vontade de construir a própria saída, o que deve fazer?

Continuar?
Parar?
Esperar?
Intervir?

Até onde vai o amor quando a outra pessoa não participa da própria salvação?

E talvez a pergunta mais desconfortável seja esta: será que ajudar alguém contra a vontade de mudar é realmente ajudar?

Na amizade, o espectáculo é ainda mais curioso. Há amigos que querem a tua presença nos momentos difíceis, mas desaparecem quando és tu quem precisa. Há quem diga “estou contigo” com a mesma facilidade com que se diz “bom dia”. O problema é que algumas amizades têm frases de milhões e comportamentos de trocos.

Depois de algum tempo, descobres que não perdeste um amigo.
Perdeste uma expectativa.
E isso dói mais porque somos nós que temos de admitir que confundimos proximidade com lealdade.

No mundo profissional, a coisa ganha uma gravata e passa a chamar-se “falta de oportunidade”. A pessoa recebe uma oportunidade, falha. Recebe outra, falha novamente. Recebe uma terceira, chega atrasada. Na quarta, não cumpre. Na quinta, alguém decide escolher outra pessoa.

E o profissional pergunta: “Por que nunca acreditam em mim?”

Mas será que o mercado deixou de acreditar ou simplesmente começou a fazer contas?

Quantas oportunidades uma pessoa precisa receber antes de perceber que oportunidade também é uma responsabilidade?

E existe ainda um território particularmente interessante: o talento.

Há pessoas que dizem querer ser grandes artistas, escritores, músicos, poetas, empresários, atletas. Falam do sonho com uma convicção quase religiosa. Mas quando chega a hora de estudar, treinar, pesquisar, ouvir críticas, melhorar a técnica, chegar preparado, cumprir horários, investir no próprio desenvolvimento, desaparecem.

Querem o resultado do compromisso sem experimentar o incómodo do compromisso.
E depois dizem que ninguém acredita nelas.

Será que ninguém acredita no talento ou o talento é que deixou de apresentar provas?

Isto acontece até na poesia.

Um poeta pode reclamar da falta de público enquanto não observa o trabalho de outros poetas de sucesso. Pode reclamar da falta de oportunidades enquanto rejeita dar o seu apoio aos espaços que aparecem. Pode reclamar da falta de investimento enquanto não investe um minuto no próprio desenvolvimento artístico. Pode querer prémios sem querer melhorar. Pode querer convites para declamar em actividades sem querer ensaiar, sem querer gravar vídeos para alimentar as suas redes sociais. Pode querer reconhecimento sem se esforçar para tal.

E quando alguém investe dinheiro, tempo, estrutura, divulgação e oportunidades para criar condições de crescimento, será que esse investimento deve continuar indefinidamente quando os próprios beneficiários parecem não demonstrar interesse proporcional pela evolução daquilo que dizem amar?

A pergunta não é simpática.
Mas desde quando uma pergunta precisa ser simpática para ser necessária?

Há uma diferença enorme entre alguém que ainda não conseguiu e alguém que não está disposto a fazer o necessário para conseguir. O primeiro merece tempo. O segundo merece uma pergunta.

E a pergunta não é “como posso ajudar-te?”.

É:
“O que estás disposto a fazer por ti?”

Porque existe um limite para aquilo que podemos fazer por outra pessoa. Podemos abrir uma porta, mas não podemos obrigá-la a atravessar. Podemos pagar a entrada, mas não podemos obrigá-la a assistir ao espectáculo.
Podemos oferecer um palco, mas não podemos fabricar público para quem não quer melhorar a própria performance.

Podemos indicar um terapeuta.
Não podemos fazer terapia pela pessoa.
Podemos pagar uma formação.
Não podemos estudar por ela.
Podemos financiar um negócio.
Não podemos trabalhar por ela.
Podemos arranjar uma oportunidade profissional.
Não podemos obrigá-la a aproveitá-la.
Podemos acreditar num poeta, no meu caso como produtor de eventos literários e agente de artistas, mas não podemos ensaiar o poema por ele.

E isto é particularmente desconfortável quando falamos de pessoas nas quais acreditamos.

Porque acreditar em alguém também pode ser uma forma de vaidade. Gostamos de pensar que conseguimos descobrir talentos escondidos, salvar projectos, transformar pessoas, mudar destinos. Às vezes, não estamos apenas a ajudar alguém. Estamos a tentar provar a nós próprios que a nossa fé naquela pessoa estava certa.

E se não estiver?

Quanto dinheiro estamos dispostos a perder para não admitir que escolhemos mal?
Quanto tempo?
Quantas oportunidades?
Quantas desculpas?
Quantas promessas?
Quantas vezes precisamos ouvir “agora vai” antes de perceber que o “agora” daquela pessoa já dura há dez anos?

Há uma crueldade particular em descobrir que alguém não quer aquilo que nós queremos para essa pessoa.

Tu podes enxergar um grande artista numa pessoa que não quer ser artista.
Podes enxergar um excelente profissional em alguém que não quer trabalhar.
Podes enxergar um grande homem numa pessoa que insiste em comportar-se como um menino.
Podes enxergar uma grande mulher em alguém que destrói continuamente aquilo que poderia construir.
Podes enxergar futuro onde a própria pessoa já se habituou a morar no passado.

E quem está errado?

Quem vê possibilidades demais?
Ou quem já desistiu de si próprio?

Há também uma pergunta ainda mais incómoda: será que temos o direito de retirar o nosso investimento de alguém quando percebemos que essa pessoa não está a fazer a sua parte?

Ou será que, depois de ajudarmos alguém durante muito tempo, passamos a acreditar que somos moralmente obrigados a continuar?

A sociedade gosta muito de falar sobre solidariedade, mas fala pouco sobre reciprocidade. Celebramos quem dá e criticamos quem deixa de dar, como se dar fosse uma obrigação eterna e receber fosse um direito constitucional.

Mas até a generosidade pode cansar.
Até a paciência pode acabar.
Até a fé pode pedir reforma.

E quando alguém diz “já não acredito em ti”, a frase pode não ser uma sentença. Pode ser o resultado de uma longa contabilidade que nunca tivemos coragem de fazer.

No fundo, a questão não é saber se alguém merece uma segunda oportunidade. Quase todos nós precisamos de uma.
A questão é saber o que aconteceu depois da primeira.

Porque pedir outra oportunidade é humano.
Pedir uma terceira também pode ser.
Transformar todas as oportunidades numa colecção de promessas quebradas e depois acusar os outros de falta de fé já é outra coisa.

Curiosamente passamos a vida preocupados com a reputação que temos diante dos outros, enquanto destruímos silenciosamente a reputação que temos diante de nós mesmos.

Quantas vezes prometeste a ti próprio que irias mudar?
Quantas vezes quebraste essa promessa?
Quando foi que começaste a deixar de acreditar em ti?

E se a pessoa que mais precisa recuperar a tua confiança não for o teu marido, a tua mulher, o teu irmão, o teu amigo, o teu colega ou o teu público?

E se fores tu?

Algumas pessoas exigem tanto que os outros acreditem nelas porque, enquanto alguém acreditar, ainda não precisam de enfrentar a possibilidade de que já não acreditam em si mesmas.

E isso é uma coisa que nenhuma declaração de amor, nenhum discurso motivacional, nenhum pedido de desculpas e nenhuma promessa bonita consegue resolver.

Há momentos em que a vida não está a perguntar se acreditamos em alguém.

Está simplesmente a perguntar:

Depois de tudo o que essa pessoa fez, que razão concreta ainda tens para acreditar?

Desde 2022 que venho a idealizar a realização de Batalhas de Poesia - Orgasmo Literário , felizmente est’Ano, com ajuda ...
01/09/2026

Desde 2022 que venho a idealizar a realização de Batalhas de Poesia - Orgasmo Literário , felizmente est’Ano, com ajuda dos meus pares consegui, pelo que agradeço bastante a cada um deles, principalmente a minha esposa Zoé Kifembe, o nosso coordenador Esmeraldo Baptista, o Helmo Jaime e a Mônica Carvalho.

Estou muito feliz com a materialização deste projecto e muito ansioso para ver os 24 poetas dessa 1a temporada gladiando na arena. A grande final será em Dezembro — com voto do júri e voto popular.

Enquanto M-Arte Angola, tencionamos realizar 3 temporadas por ano, elevando sempre os prêmios (com apoio dos nossos parceiros, é claro!). Cada temporada com duração de 3 meses. O que significa que se tudo correr bem já estaremos em condições de organizar, pela primeira vez em Angola, um evento denominado POESIA — BATALHA DOS GIGANTES 🔥

Obs.: Quando falo que sou O Maior e aceito que me chamem de gênio não é pelas letras ou os textos que escrevo. É pela profundidade das minhas ideias.
Nos últimos 5 anos eu venho sendo o número 1 da poesia angolana.

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ESTAREMOS AQUI PARA MAIS!

“MATRIX— TODO ESCRITOR ESCOLHE UMA PÍLULA.”Por: Pedro Bars aka YadhistótelesPai da Yanceli e outros 4De certeza que já v...
18/07/2026

“MATRIX
— TODO ESCRITOR ESCOLHE UMA PÍLULA.”

Por: Pedro Bars aka Yadhistóteles
Pai da Yanceli e outros 4

De certeza que já viste o filme Matrix e muito provavelmente ainda te lembras daquela famosa cena:
Morpheus estende as duas mãos. Numa delas repousa uma pequena cápsula azul. Na outra, uma vermelha.
A escolha parece simples.
A azul permite que Neo regresse à vida que sempre conheceu.
A vermelha promete mostrar-lhe a realidade, por mais desconfortável que ela seja.

Durante anos, milhões de pessoas acreditaram que aquela era uma história de científica sobre a descoberta de que a realidade humana é uma simulação virtual. Eu também. Hoje tomei a ousadia de transformá-lo numa história sobre escritores.

Não te assustes. Também achei estranho quando esta ideia me ocorreu. Afinal, o que pode um filme de ficção científica ensinar a alguém que passa os dias a escrever crônicas, poemas ou romances? Talvez mais do que qualquer manual de escrita.

As grandes histórias não servem apenas para nos entreter. Servem para nos ensinar a pensar.
O papel do cronista é descobrir lições novas em histórias que toda a gente julga conhecer.

É exactamente isso que tentarei fazer. Porque, se olharmos para além das máquinas, dos códigos verdes e das cenas de ação, talvez descubramos que Morpheus nunca esteve apenas a oferecer uma escolha a Neo. Estava a oferecer uma escolha a todos nós enquanto escritores.

Todo escritor escolhe uma pílula. Mesmo aqueles que nunca viram o filme do qual estou a falar, que é Matrix.

Existe uma pílula azul. E existe uma vermelha.

A azul é confortável. Ela convence-nos de que basta escrever bem. Que um excelente livro encontrará leitores sozinho. Que um texto profundo será inevitavelmente partilhado. Que o talento acabará sempre recompensado. Que marketing é coisa de vendedores. Que títulos são apenas detalhes. Que a qualidade fala por si.

Parece bonito.
Mas continua a ser uma Matrix.

A pílula vermelha é cruel. Ela mostra que excelentes livros morrem todos os dias sem leitores. Que excelentes cronistas vivem na frustração de verem seus artigos de opinião completamente ignorados. Que milhares de poemas emocionantes nunca emocionaram pessoa alguma porque ninguém chegou à segunda linha. Não porque lhes faltasse qualidade, mas porque nunca conseguiram conquistar o primeiro segundo de atenção.

Foi precisamente por isso que, ontem, publiquei uma crônica intitulada “MPLA É O MELHOR PARTIDO PARA GOVERNAR ANGOLA… e eu posso provar.” Muitos seguidores meus pensaram que estivessem diante de um texto sobre política e, como era de se esperar, recebi muitas ofensas. Nunca estiveram. Na verdade estavam diante de uma aula de atenção.

Enquanto alguns esperavam uma defesa do MPLA e outros preparavam argumentos para me contrariar, eu fazia uma experiência muito mais simples. Queria demonstrar que um título bem construído consegue levar um leitor até ao fim de uma ideia. Não porque o obrigue, mas porque desperta uma pergunta suficientemente forte para que ele próprio queira descobrir a resposta.

Talvez seja essa a primeira grande lição que Matrix oferece à nós escritores. Antes de Neo conhecer a verdade, Morpheus conquistou a sua curiosidade.

Conheço autores capazes de passar três horas à procura do adjetivo perfeito. Mas escolhem o título em menos de trinta segundos. Escrevem durante seis meses. Promovem a obra durante seis dias. Depois concluem que as pessoas já não gostam de ler.

Será mesmo?

Talvez as pessoas gostem de ler mais do que nunca. Nunca se consumiram tantas palavras. Nunca se abriram tantos textos. Nunca se compraram tantos livros em diferentes formatos. O problema é que ninguém lê aquilo que nunca despertou curiosidade suficiente para ser aberto.

Vivemos na economia da atenção. E a atenção nunca foi distribuída de forma democrática. Ela é conquistada.

O escritor acredita que vende livros. O editor acredita que vende livros. A livraria acredita que vende livros. Talvez todos estejam enganados.

Antes do livro existe uma decisão muito menor.
Um clique.
Um olhar.
Uma capa.
Uma primeira frase.

Ninguém compra um livro antes de comprar alguns segundos de atenção.

É por isso que continuo a discordar quando alguém diz que marketing estraga a literatura. O mau marketing pode estragá-la. A manipulação pode estragá-la. Mas compreender como a curiosidade humana funciona não destrói uma boa história. Ajuda-a a encontrar quem precisa dela.

Um bom título não engana. Convida. Uma boa capa não mente. Abre uma porta. Uma boa primeira frase não prende ninguém à força. Apenas merece que o leitor lhe conceda mais alguns minutos.

Talvez Morpheus tenha escondido uma terceira pílula. Não aparece no filme. Mas aparece todos os dias na vida de muitos escritores, que é o que vou chamar de ‘pílula da vaidade’.

Aquela que nos faz acreditar que o mundo nos deve leitores apenas porque escrevemos algo bonito. Aquela que nos convence de que a culpa é sempre do algoritmo, do mercado editorial, das redes sociais, da falta de cultura ou dos leitores. Nunca nossa.

É a pílula mais perigosa de todas. Porque impede qualquer aprendizagem.

A verdade é mais desconfortável. Escrever bem continua a ser indispensável. Mas escrever bem não garante que alguém nos leia. Da mesma forma que fabricar um excelente produto não garante que alguém o compre.

Antes da venda existe a atenção. Antes da atenção existe a curiosidade. E antes da curiosidade existe uma pergunta que ainda não foi respondida.

Eu sempre digo que comunicar nunca foi despejar informação. Sempre foi conduzir atenção.

Neo escolheu apenas uma vez. Nós escolhemos todos os dias. Sempre que publicamos um texto sem pensar no título. Sempre que desprezamos a psicologia do leitor. Sempre que chamamos marketing àquilo que, na verdade, é apenas compreender pessoas. Sempre que acreditamos que escrever bem basta.

Todo escritor escolhe uma pílula.

Uns escolhem escrever.
Outros escolhem ser lidos.

Os maiores aprendem que nunca foi preciso escolher até porque a literatura começa exactamente quando escrevemos.
Mas só cumpre o seu destino quando alguém decide continuar a ler.

Talvez tenhas reparado que passei toda esta crônica a falar de Matrix. Na verdade, quase não falei do filme. Falei de literatura. E talvez nem de literatura eu tenha falado.

Acredito que falei mais sobre a decisão que todo criador de conteúdo literário precisa de tomar.

Continuar a acreditar que um bom trabalho se promove sozinho…

…ou aceitar que conquistar a atenção de alguém também faz parte da arte de comunicar.

A maior lição de Matrix nunca esteve nas máquinas e sim na escolha.
E, para nós escritores, especialmente os cronistas, essa escolha continua a repetir-se todos os dias.

Sempre que decidimos se queremos apenas escrever um bom artigo…
…ou fazer com que alguém sinta que não pode abandoná-lo antes da última linha por mais extenso que seja.

“MPLA É O MELHOR PARTIDO PARA GOVERNAR ANGOLA… e eu posso te provar”Por: Pedro Bars aka YadhistótelesPai da Yanceli e ou...
17/07/2026

“MPLA É O MELHOR PARTIDO PARA GOVERNAR ANGOLA… e eu posso te provar”

Por: Pedro Bars aka Yadhistóteles
Pai da Yanceli e outros 4

Há uma pergunta que gostaria que respondesses antes de continuares a ler, mas não me interessa a resposta que vais dar em voz alta. Interessa-me a que deste em silêncio, naquele exacto segundo em que os teus olhos cruzaram este título. O que te fez parar? Foi a palavra “MPLA”? Foi a ousadia de alguém afirmar que é o melhor partido para governar Angola? Ou foi a arrogância escondida na promessa de que eu conseguiria provar uma afirmação que, para muitos, parece impossível de sustentar?

Talvez nem tu saibas.

Enquanto acreditamos que escolhemos aquilo que lemos, alguma coisa dentro da nossa cabeça já decidiu muito antes de a razão ser chamada para a reunião.

É por isso que me fascinam menos as opiniões das pessoas do que o caminho que elas percorrem até chegar a essas opiniões.

Repara no que aconteceu contigo:

Ainda não apresentei um único argumento. Não elogiei o MPLA. Não o critiquei. Não citei um dado. Não contei um episódio da nossa história política. Apesar disso, existe uma boa probabilidade de já me teres atribuído uma identidade. Talvez me tenhas chamado vendido. Talvez tenhas pensado que finalmente alguém teria coragem de dizer uma verdade inconveniente. Ou talvez apenas tenhas ficado à espera do momento em que eu escorregasse para poderes provar, nem que fosse apenas a ti próprio, que estavas certo desde o princípio.

É curioso como um título consegue fabricar adversários antes mesmo de existir um debate.

Agora imagine se esta mesma crónica tivesse outro título: “Reflexões sobre cinquenta anos de governação em Angola”. Sê honesto. Terias clicado com a mesma urgência? Ou esse texto teria sido condenado ao lugar onde repousam quase todas as boas leituras que prometemos fazer “quando houver tempo”?

Existe um cemitério invisível na internet. Chama-se “depois”. Chamam de “Guardados”, né? Onde ficam os textos para “Ler Depois”. Eu sei. Muitos dos meus textos também param lá. É lá que morrem os conteúdos sensatos, equilibrados e bem-intencionados. Não porque sejam maus, mas porque nunca conseguiram interromper o dedo que deslizava pelo ecrã.

Posso estar errado na forma como penso, mas é o que acredito, que as redes sociais não premeiam quem escreve melhor. Elas premeiam quem consegue provocar o estímulo certo. Quem consegue activar o gatilho da curiosidade.

Porque ninguém procura uma resposta para uma pergunta que nunca sentiu.
E ninguém sente curiosidade por aquilo que já acredita conhecer.

Ao longo dos últimos meses, como cronista, percebo que os textos mais partilhados raramente são os mais profundos. São os que deixam uma porta entreaberta. Os que criam uma pequena dívida psicológica. Os que obrigam o leitor a continuar, não porque já recebeu alguma coisa, mas porque sente que ainda lhe falta receber.

É um mecanismo tão antigo quanto a própria condição humana. Quando alguém promete uma prova, o cérebro começa imediatamente a procurá-la. Quando alguém afirma o impensável, a razão levanta-se para o contradizer. E, enquanto pensamos que estamos a avaliar um argumento, muitas vezes estamos apenas a obedecer à curiosidade.

É precisamente por isso que tanta gente discute títulos sem conhecer os textos e condena autores sem lhes ter concedido sequer um parágrafo de audiência. Não reagem ao conteúdo. Reagem à expectativa que construíram antes de o conteúdo existir.

É precisamente aqui que a política entra nesta conversa.

O MPLA governa Angola desde 1975. Meio século de poder é tempo suficiente para coleccionar conquistas, erros, promessas cumpridas e promessas abandonadas. É também tempo suficiente para que continuem a existir milhões de angolanos a viver abaixo da linha de pobreza e mais da metade da população jovem no desemprego. Continua a crescer o número crianças fora do subsistema de ensino, apesar de a educação obrigatória estar consagrada na Constituição. Há estatísticas que documentam essas dificuldades e há cidadãos que as vivem sem precisar de consultar estatística nenhuma para saber que existem. Ao mesmo tempo, haverá quem aponte estradas construídas, hospitais inaugurados ou outros avanços que considera relevantes. É precisamente dessa tensão entre diferentes leituras que nasce o debate político.

Mas talvez tenhas reparado numa estranha ausência.
Eu prometi provar o título.
E estou a passar quase toda a crónica sem tentar fazê-lo.

Não foi um esquecimento.

É uma experiência.

Enquanto aguardas a demonstração, aceitas caminhar por um texto cujo verdadeiro assunto nunca foi o MPLA. Julgas que estás a observar uma crónica sobre política, quando, na verdade, a crónica é que está a observar a forma como a tua atenção se comporta diante de uma promessa.

E talvez seja essa a ironia mais desconfortável do nosso tempo.

Passamos horas a discutir quem governa os países, mas raramente perguntamos quem governa aquilo que decidimos ler, partilhar, comentar ou odiar.
Porque antes de existir um voto, existe uma narrativa.
Antes de existir uma convicção, existe uma emoção.
Antes de existir um debate, existe alguém que conseguiu fazer-nos parar.

Até aqui não provei que o MPLA é o melhor partido para governar Angola.

Também não tentei provar o contrário.

A única coisa que me propus demonstrar foi que um conjunto de palavras, cuidadosamente escolhidas, conseguiu conduzir os teus olhos até à última linha desta crónica.

E isso vale muito mais do que parece.
Porque esta crónica não é apenas sobre política.
É uma aula de marketing disfarçada de polémica.

Enquanto alguns procuram uma posição ideológica, eu estou a mostrar-te uma técnica.
A mesma técnica que faz um vendedor transformar um produto comum num objecto desejado.
A mesma técnica que leva um escritor a ser lido enquanto outros, por mais talentosos que sejam, permanecem esquecidos.
A mesma técnica que faz um vídeo alcançar milhões de pessoas enquanto outro, talvez até mais útil, morre sem visualizações.

É precisamente por compreenderem este princípio que os influenciadores digitais deixaram de ser apenas criadores de conteúdos para se tornarem uma das maiores forças do marketing moderno.

Durante décadas, as grandes empresas disputavam a atenção das pessoas através de outdoors, anúncios de televisão, spots de rádio e páginas de jornal. Hoje, uma parte crescente desse investimento é canalizada para homens e mulheres munidos apenas de um telemóvel e de uma audiência fiel.
Não porque os influenciadores tenham inventado melhores produtos.
Mas porque aprenderam a dominar uma moeda muito mais valiosa do que o espaço publicitário: A atenção.

As empresas perceberam uma verdade simples: um anúncio interrompe um programa; um bom criador faz com que o público interrompa voluntariamente o que estava a fazer para o ouvir.

É por isso que uma recomendação feita por um influenciador de confiança consegue, muitas vezes, vender mais do que um anúncio milionário.

O produto continua a ser o mesmo.

O que muda é a forma como ele chega à curiosidade das pessoas.

Lembro-me de uma conversa que tive com o meu amigo Fly Skuad.

Eu tinha acabado de escrever uma crónica e o título que pensei era outro. Antes de publicar, mostrei-lhe o texto. Ele fez apenas uma sugestão:

— Muda o título para “FLY SKUAD TEM QUE CAIR”.

Confesso que, num primeiro instante, estranhei. Parecia demasiado provocador. Quase injusto. Mas ele insistiu e garantiu-me que era esse o título que faria o conteúdo “bombar”

Confiei. Publiquei. A crónica viralizou e acredito que alguns de vocês devem estar lembrados.

Naquele dia percebi que o título não era um detalhe do texto.
Era a porta de entrada para ele.
Mais do que isso, percebi por que razão o Fly lidera as audiências em Angola.

Muita gente olha para os números e pensa que o segredo está apenas no carisma, na popularidade ou na sorte.
Eu suspeito que o segredo começa muito antes da câmara ser ligada.
Começa na compreensão profunda da forma como a atenção humana funciona.
Porque quem domina a atenção não obriga ninguém a ouvir.
Faz com que as pessoas naturalmente queiram ouvir.

As pessoas costumam dizer que o conteúdo é rei.
Discordo.
O conteúdo pode ser extraordinário e, ainda assim, morrer sem despertar o interesse das pessoas.

Antes de existir um bom conteúdo, precisa de existir uma boa razão para alguém lhe conceder atenção.
E essa razão raramente nasce na primeira frase.

Nasce no título.
Na promessa.
Na curiosidade.
Na pequena inquietação que faz alguém interromper o movimento do polegar e pensar:

“Espera… preciso de ver isto.”

É por isso que vender não começa quando apresentas um produto.
Começa quando despertas uma pergunta.

Escrever não começa quando desenvolves uma ideia.
Começa quando crias uma intriga na mente do leitor que faz com que ele sinta a necessidade de “entender”.

Comunicar nunca foi despejar informação.
Sempre foi conduzir atenção.

Não gosto de me colocar na posição de ter que ensinar alguma coisa porque o que sei também é quase nada, mas esse meu quase nada pode fazer a diferença na vida de um escritor mais novo que eu. É o seguinte: Se és cronista, deixa de perguntar apenas:

“O meu texto é bom?”

Pergunta também:

“Porque haveria alguém de lhe dar o primeiro minuto?”

Se és vendedor, deixa de perguntar apenas:

“O meu produto resolve um problema?”

Pergunta também:

“Porque haveria alguém de parar para me ouvir?”

Se crias conteúdos para a internet, talvez a pergunta mais importante nem seja “O que vou dizer?”

Talvez seja:

“Como posso fazer alguém sentir que precisa de descobrir o que tenho para dizer?”

Porque a atenção não é um prémio atribuído aos melhores.
É uma conquista.
E quem aprende a conquistá-la comunica melhor, escreve melhor, vende melhor e influencia melhor.

Agora pára de ler esta crónica.

Olha novamente para a capa e especialmente para o título.
Percebe que ele nunca te pediu para concordares comigo.
Pediu apenas alguns minutos da tua atenção.
E tu deste.

Se um simples título conseguiu conduzir a tua curiosidade até aqui, imagina o que essa mesma técnica pode fazer quando estiver ao serviço de um livro, de uma marca, de um negócio, de uma campanha ou de uma ideia que realmente mereça ser ouvida.

Talvez a maior lição desta crónica seja esta:
No século XXI, a maior escassez já não é de produtos.
Também não é de serviços.
Muito menos de informação.

Vivemos cercados por excelentes ideias que ninguém conhece, excelentes livros que ninguém lê, excelentes negócios que ninguém descobre e excelentes profissionais que ninguém contrata.

Não porque lhes falte qualidade.
Mas porque lhes falta atenção.
E a atenção não se implora.
Constrói-se.
Conquista-se.
Merece-se.
Aprende-se.

Se és escritor, e eu vou sempre insistir nisso por ser a minha área de actuação, estuda menos apenas a gramática e mais a psicologia do público-alvo, o que os marketeiros chamam de Nicho.

Se és empresário, dedica menos tempo a explicar as características do teu produto e mais tempo a compreender o que faz alguém parar para te ouvir.

Se trabalhas com vendas, percebe que ninguém compra aquilo que não chegou a observar.
E ninguém observa aquilo que nunca despertou a sua curiosidade.

No fim de contas, o marketing não começa quando apresentas uma solução.
Começa quando fazes nascer uma pergunta.

A literatura não começa quando escreves um bom parágrafo.
Começa quando alguém sente que não consegue abandonar a primeira linha. Por isso vocês têm estado a me ver testando mais os limites dos meus leitores com textos cada vez mais longos.

Talvez seja essa a verdadeira arte de comunicar.
Não convencer.
Primeiro, conquistar o direito de ser escutado.
Porque só depois de ganhares a atenção de alguém é que tens a oportunidade de ganhar a sua confiança.
E confiança é o único lugar de onde nascem as vendas, as ideias, os movimentos, os leitores fiéis que depois viram clientes e as mudanças que realmente perduram.

Por isso, quando terminares esta leitura, esquece o MPLA.
Esquece até esta crónica.
Mas nunca te esqueças da pergunta que ela tentou responder sem nunca a escrever explicitamente:

O que faz uma pessoa parar?

No dia em que responderes verdadeiramente a essa pergunta, escreverás melhor.
Venderás melhor.
Comunicarás melhor.

E compreenderás que, antes de conquistar clientes, leitores, investidores ou seguidores, existe sempre uma conquista maior e mais difícil:
— A conquista da atenção.

E é justamente aí que começam todas as grandes histórias.

Se chegou até aqui é porque gostou. E como conhecimento só vale se for partilhado… de graça recebeste, de graça dê pros outros. Partilhe.

Nota: Pra quem não gosta de ler textos longos vem aí uma coisa boa.
Passaremos a gravar, em dois minutos, os resumos das crônicas que escrevo e postar em vídeos curtos. Interpretação de Zoé Kifembe — Melhor Poeta Do Ano nos Prêmios Nova Geração, 2022.

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