25/04/2026
25 DE ABRIL SEMPRE! ✊
Umberto Eco dizia que, quando o fascismo voltasse, ele viria em nome da liberdade. Nesse sentido, chamar ao 25 de Abril “o dia da liberdade” nos nossos dias faz-nos entrar numa colisão direta com os inimigos do povo, que se apropriaram das palavras “liberdade” e “democracia” para propor uma “libertação popular” mediada e passiva, que não é mais que a liberdade de sair à rua de cravo na mão a horas certas, destacava José Mário Branco em 1979. Ou seja, não propõe mais que a velha ideia da libertação pelo trabalho e pela chegada do pai primitivo freudiano, supostos disciplinadores de pulsões.
Nos 52 anos da data mais importante para a classe trabalhadora portuguesa, é oportuno relembrar que este dia, antes de ser o dia de uma liberdade abstrata infelizmente apropriável, é o dia da classe trabalhadora. É também o dia da classe média que não se vê como classe trabalhadora. É o dia de todas as classes trabalhadoras despedaçadas por séculos de colonialismo. E, por fim, é também o dia da classe trabalhadora ressentida com as promessas que a social-democracia não cumpriu, e que hoje, assustada com a sua própria caricatura (prefigurada no imigrante), se deixa atrair pelo fogo-fátuo do fascismo, achando ver nele uma luz.
Texto:
Ilustração: .gag