29/03/2026
Esse foi um daqueles sets que f**am mais dentro do que fora.
Eu vinha de um DJ com um som bem energético, moderno, e depois ainda teria outro puxando pra um lado mais comercial, com aquelas músicas que todo mundo já espera. Era muito fácil só seguir essa linha e garantir que tudo continuasse funcionando sem atrito.
Mas eu senti outra coisa.
Mantive o BPM, respeitei a pista, mas comecei a mudar o clima aos poucos. Tirei um pouco da pressão, trouxe mais psicodelia, menos quebra óbvia. Fui puxando as pessoas pra dentro, sem pressa.
Teve gente que conectou rápido.
Outros f**aram tentando entender.
E alguns simplesmente não entraram.
E tá tudo certo.
No meio disso, teve um momento muito especial pra mim.
A Chapati.
Eu não queria só tocar ela. Eu queria que ela acontecesse.
Fui preparando esse espaço até ela fazer sentido. E quando entrou… foi bonito de ver.
Tinha gente com memória.
Gente que conhecia, mas nunca tinha vivido aquilo na pista.
E gente nova, que talvez nem soubesse o que era... mas sentiu.
Por alguns minutos, parecia que todo mundo falava a mesma língua.
No final, criei uma intro que soava como encerramento. Usei uma mensagem que costumo guardar pro fim. A sensação era de fechamento.
E então… entrou a Revolution.
Eu sempre quis tocar essa música. Nunca tinha encontrado o momento certo. E naquele dia, encaixou.
Ela puxa algo mais profundo. Não é só energia, é estado.
Ser DJ, pra mim, passa por isso.
Não é só manter a pista funcionando, nem entregar o esperado.
É conduzir.
Mesmo que nem todo mundo vá junto.
Porque quando acontece de verdade… quem sente, f**a.